1.9.11

PRAZER EM CONHECÊ-LO ÁFRICA/ SEM IMAGENS, É UMA PENA!



PRAZER EM CONHECE-LO AFRICA
Coletânea de Dados Pesquisados por
Professora Lúcia Martinelli





A Terra vista da Apolo 17 em viagem à Lua.
Pode-se observar o Mar Mediterrâneo e a África (NASA, 7 de dez. 1972)




Eu sou Lúcia Martinelli, nasci em 28.06.57. Sou filha de Cândido Martinelli e Maria Grando, estudei em Passo Fundo RS, nas escolas Alfredo Pujol, Notre Dame, Joaquim Fagunde dos Reis e Cursei o 2º grau no Colégio Bom Conselho e o ensino superior na Universidade de Passo Fundo e fiz Pós –Graduação em Alfabetização Construtivista na UPF com o GEEMPA e conclui 1989.
Trabalhei na Faculdade de Odontologia da UPF e fui secretária e auxiliar odontológico.
Exerci a função do magistério na reda particular de ensino, no Colégio Notre Dame por onde me aposentei e na rede municipal nas escolas Vidal Colussi, Fundação Educacional do Menor, UPF em Assessoramento Contrutivista, Notre Dame e Antonino Xavier.
Trabalhei em turmas pela ordem dos acontecimentos: multiseriada (de pré a 4ª série) todos na mesma sala, Jardim, Pré, 1ª série, 2ª série, 2º ano, 3ª série, 4ª série, 5ª série e 1º ano do 2º grau.
Sou professora por opção porque adoro o ato de ensinar e aprender, o convivio com as crianças sentir a mundança e o crescimento acontecendo no dia a dia, ser o elo mediador entre aluno e conhecimento desafiando e apoiando para que o processo de aprendizagem aconteça o mais rápido possível. A experiência da alfabetização é algo indiscritível, só experimentando para saber a delicia da magia que é “o ver acontecer”.

A educação é um processo contínuo que toma o homem sobre sua responsabilidade desde a infância até a morte.
I.Tema: Prazer em conhecê-lo: África

Público-alvo: Alunos da 4ª séries, turmas 41 e 42 da Escola Municipal Antonino Xavier na vila Jardim, Perimetral Sul em Passo Fundo.
Tempo: 24 horas-aula, sendo 1 hora-aula uma vez por semana.
Período: De junho a novembro de 2008

II. Justificativa:
Este Projeto atende a uma determinação da Lei nº 10639 de 9/01/2003 do ministério da Educação, que propõe a conscientização e resgate de nossas raízes da Mãe África.
O Projeto será trabalhado de forma interdisciplinar proporcionando o conhecimento e despertando à curiosidade e a busca entre os alunos das 4ª séries.
III. Objetivos

1.Conhecer o continente Africano, sua localização no mundo e reconhecer a África como o berço da humanidade;
2. Perceber as enormes diferenças histórica-sociais-economicas, entre os países do continente africanos;
3.Comparar as diferenças e semelhanças com o nosso país, uma vez que 45% da população brasileira é de descendência africana, chegando a 80% na cidade de Salvador;
4. Refletir sobre as imagens da fome do continente africano e valorizar o que possui;
5.Participar de discussão histórico-social da realidade entre ambos, aprender com as desigualdades sociais e despertar a consciência crítica com as possibilidades de mudanças através do estudo e uma boa formação escolar;
6.Reconhecer e valorizar os conhecimentos transmitidos pelos escravos seus costumes, hierarquias, línguas, concepções estéticas, danças, mitos, lutas, literatura, visão de mundo e sobretudo a sua religião.

IV.Desenvolvimento do Projeto
Sensibilização e exposição oral, com auxílio de muitos mapas e muitas fotos. Gravuras no computador que falam mais que qualquer texto; Dados numéricos, resgate e conscientização; Situações comparativas com o nosso país no quadro-negro, para facilitar a compreensão de dados. Progressos e retrocessos nos 120 anos do fim da escravidão no Brasil com assinatura da lei Áurea.
África, o continente preto, é uma metáfora que significa o universo mágico e encantatório.
É o continente das saudades e do mistério.

ORIGEM DO NOME ÁFRICA
Deriva de avringa ou afri, tribo berbere que na Antiguidade habitava o norte do continente. O nome começa a ser usado pelos romanos a partir da conquista de Cartago para designar províncias a noroeste do Mediterrâneo africano (atuais Tunísia e Argélia). No século XVI, o nome generaliza-se para todo o continente.

ONDE SE LOCALIZA NO GLOBO?




SOMOS TODOS AFRICANOS

Os mais antigos fósseis de hominídeos foram encontrados na África e têm cerca de cinco milhões de anos: o Homo habilis e o Homo erectus. O primeiro homem africano, o Homo sapiens, data de mais de 200.000 anos.

O continente Africano é considerado o berço da humanidade e do conhecimento. Lá foram encontrados os primeiros centros universitários e culturais que se tem registro.

O objeto matemático mais antigo é o bastão de Ishango, osso com registros de dois sistemas de numeração. Ele foi encontrado no Congo em 1950 e é 18 mil anos mais antigo do que a matemática grega 3000 a.C.



VALE DA GRANDE FENDA
Há 7 milhões de anos houve a separação entre as linhagens do macaco e do que viria a ser o homem mais tarde. Os fósseis mais antigos de nossos ancestrais foram encontrados no Vale da Grande Fenda, formação que atravessa a Etiópia, o Quênia e a Tanzânia. Milhões de anos depois, o Homo Erectus teria partido dessa região para povoar a Ásia e a Europa, onde se transformou em homem de Neanderthal.
Os que continuaram na África evoluíram para a espécie sapiens, que mais uma vez migrou, dizimando ou substituindo os neandertais e os hominídeos asiáticos. E assim o planeta foi povoado.




Ao abordar a evolução das espécies, esclarecendo que biologicamente todos os seres humanos são parecidos e que as pequenas diferenças físicas não interferem na capacidade intelectual de cada um.

A África ocupa uma área de 30 milhões de quilômetros quadrados, ou seja, 20.3% da superfície do Planeta Terra. A África acomoda 850 milhões de pessoas em 54 países que se comunicam em 2.019 línguas.



DADOS MUNDIAIS, QUE PRECISAM MUDAR...

Há 800 milhões de pessoas desnutridas no mundo.
11 mil crianças morrem de fome a cada dia.
1/3 das crianças dos países em desenvolvimento apresentam atraso no crescimento físico e intelectual.
1,3 bilhão de pessoas no mundo não dispõe de água potável.
40% das mulheres dos países em desenvolvimento são anêmicas.
Uma a cada sete pessoas morre de fome no mundo.

Em Geografia, estimular a reflexão e análise crítica das atuais condições de vida de grande parte da população de afro-descendente em relação ao seu antepassado de espoliação; visto que a escravização de seres humanos no Brasil deixou marcas profundas na sociedade e o país com uma grande dívida social a ser paga.
“...a Princesa Isabel assinou a Lei Áurea mas esqueceu de assinar nossas carteiras..”

Exploração de mapas para conhecer o continente africano, sua localização no mundo: vamos resgatar a história da imigração africana, o trajeto percorrido por eles durante a viagem e as principais áreas do Brasil. Relevo, clima, fauna e flora, moeda, hidrografia da África, comparação com o Brasil.

CARACTERISTICAS FÍSICAS

A África é cortada pela Linha do Equador e 75% de seu território situa-se entre os trópicos de Câncer e Capricórnio. No continente, o mais tropical do mundo, predominam as altas temperaturas. Mas também existem faixas subtropicais nas extremidades norte e sul. Um terço de seu território é formado por áreas desérticas, extensão que corresponde a 69% das terras áridas do planeta. As terras aráveis somam 17,8% e as florestas, 31,5%. O litoral é pouco recortado e o relevo litorâneo é baixo e pouco navegável. As planícies são ocupadas por lagunas e pântanos. Possui cadeias de montanhas ao norte, os Atlas, que abrangem a Tunísia, a Argélia e o Marrocos, com picos de até 4 mil metros.

O país tem aproximadamente dois mil quilômetros de costa, sendo dois terços no oceano Índico e o restante no Atlântico. Do litoral para o interior, sucedem-se uma estreita faixa formada por terras baixas, uma escarpa que atinge 1.600m de altitude e finalmente um planalto central. A escarpa é mais acentuada na parte oriental, perto do oceano Índico. Ali se eleva a cordilheira de Drakensberg, onde se localiza o ponto culminante do país, o pico Thahana Ntlenyana, com 3.482m. A região interior é de chapadas a pique, alternadas com longos espigões, que lembram a estrutura do sul do Brasil. O planalto domina o relevo do país, que tem quarenta por cento do seu território acima de 1.200m de altitude.

Do Saara, o maior deserto do Planeta, às riquezas em fauna e flora das florestas equatoriais da África Central. A África apresenta variações climáticas impressionantes.



ECONOMIA
Apresenta em desenvolvimento bastante desigual, com países mais desenvolvidos e outros com problemas agudos de fome crônica ou periódica. O continente é predominantemente agrícola, com exceção da África do Sul, da Nigéria e dos países do Norte (Líbia, Tunísia, Argélia, Marrocos), que possuem economia diversificada. Cerca de 60% das terras cultivadas são de baixa produtividade – basicamente de subsistência – devido ao uso limitado de técnicas de aproveitamento racional do solo, mecanização e irrigação. Em algumas partes do continente existem monoculturas de exportação, como as plantações de café, cacau, algodão, amendoim e azeite-de-dendê. A mineração é responsável por grande parte da receita de alguns países africanos, que concentram enormes reservas de minérios.
Na extração destacam-se o diamante (Zaire, África do Sul e Botsuana), o ouro (África do Sul, Zimbábue e Gana), o petróleo e o gás natural (produzidos em larga escala por Nigéria, Líbia, Argélia e Egito), entre outros. O nível de industrialização do continente é baixo, um dos menores do mundo.


O RAND É A MOEDA CORRENTE OFICIAL DA ÁFRICA DO SUL

Atualmente, 1 real equivale a cerca de 3 randes.
O rand é a moeda corrente da África do sul, significa: Montanha das Águas Brancas. Montanha essa que tem a cidade de Johannerburgo construída e onde era a maior reserva de ouro da África do Sul. O rand teve início em 1961, coincidindo com a instituição da República da África do Sul, substituindo o Peso Sul Africano. As novas cédulas e moedas também foram impressas nas 11 línguas oficiais na África do Sul.


RAND

Dados
Código ISO 4217
ZAR
Usado África do Sul

Inflação 5.8%
Banco Reserva da África do Sul, Dezembro de 2006

Sub-Unidade
1/100 Centavo
Símbolo R
Moeda 1c, 2c, 5c, 10c, 20c, 50c, R1, R2 e R5
Cédula R10, R20, R50, R100 e R200
Banco Banco Reserva da África do Sul


Entre as nações mais desenvolvidas estão o Egito, a Argélia, o Zimbábue e a África do Sul (que detém sozinha quase metade da produção industrial do continente).
REIS AFRICANO
2006/12/26
Vários países tiveram monarquias Africano no contexto do moderno Estado-nação.


JOSEPH LANGANFIN
Benin

MABIINTSH NYIMI III KOK
Rei da Kuba
RD Congo

Igwe KENNETH NNAJI ONYEMAEKE ORIZU III
Obi de Nnewi Nigéria



El Hadj USMAN KABIR MAMADOU
Emir de Katsina
Nigéria


SALOMON IGBINOGHODUA
Oba Erediauwa do Benin
Nigéria

Bouba ABDOULAYE
Sultão de Bouba Rey-
Camarões


OBA OGUNOYE ADEKOLA JOSEPH
Olowo de Owo
Nigéria


HAPI IV
Rei de Bana
Camarões


ABUBAKAR SIDIQ
Sultão de Sokoto
Nigéria


ONI da IFE
Nigéria


GOODWILL ZWELETHINI
Rei da Zulu
África do Sul


OSEADEEYO ADDO Dankwa III
Rei da Akuapem-Akropong
Gana


ISIENWENRO JAMES IYOHA INNEH
Ekegbian do Benin
Nigéria


El Hadj Njoya NJIMOLUH Seidou
Sultão de Fumban e Mfon do Bamun
Camarões


DEDJLANI AGBOLI-Agbo
Rei do Abomey
Benin


HALIDOU SalI
Lamido de Bibemi
Camarões


NGIE JOSEPH KAMGA
Fon de Bandjun.
Camarões

Presença de Mandela no jogo de encerramento da copa de 2010



A Península do Sinai liga os continentes da Ásia e África. Às vezes indicada como parte da Ásia, às vezes, como África já que, atualmente, faz parte do Egito. É uma região árida com cerca de 385 km de norte a sul e 210km de leste a oeste. A Península foi ocupada por Israel de 1967 a 1982, quando foi devolvida ao Egito.


Por do Sol sobre o Monte Sinai. Conta a Bíblia que Deus entregou, aqui, os Dez Mandamentos para Moisés. O Monte Sinai é um pico de granito com 2.285m de altura, localizado ao centro-sul da Península do Sinai, Egito. O local é sagrado para as três religiões: cristianismo, judaísmo e islamismo.

No centro do continente e na costa oriental de Madagascar, o clima e a vegetação são tropicais. O clima da costa de Guiné assemelha-se ao clima equatorial, mas tem apenas uma estação de chuvas. No norte e no sul, o clima próprio de floresta tropical é substituído por uma zona de clima tropical de savana que envolve 1/5 da África. Longe do equador, ao norte e ao sul, a zona do clima de savana transforma-se em uma zona de estepe seca. As zonas das extremidades noroeste e sudoeste são de clima mediterrâneo. Nos planaltos elevados da África meridional, o clima é temperado. A África tem uma área de clima árido, ou desértico, maior do que em qualquer outro continente, com exceção da Austrália.
PRINCIPAIS REGIÕES DA ÁFRICA E OS PAÍSES QUE AS COMPÕEM.

África Meridional

África do Sul,
Angola
Botswana
Comores
Lesoto
Madagáscar
Malawi
Maurícia
Moçambique
Namíbia
Suazilândia
Zâmbia
Zimbabwe
África Central

República Centro-Africana
R. Democrática do Congo
Chade
Congo
África Setentrional

Argélia
Egipto
Líbia
Marrocos
Mauritânia
Sudão
Tunísia
África Ocidental

Benin
Burkina Faso
Cabo Verde
Camarões
Costa do Marfim
Gabão
Gâmbia
Gana
Guiné
Guiné-Bissau
Guiné Equatorial
Libéria
Mali
Níger
Nigéria
Senegal
Serra Leoa
São Tomé e Príncipe
Togo
África Oriental

Burundi
Djibouti
Eritreia
Etiópia
Quénia
Ruanda
Seychelles
Somália
Uganda
Tanzânia

Outras divisões
Norte de África
Magrebe
África subsaariana
Corno de África



PRINCIPAIS DIVISÕES GEOPOLÍTICAS

África Austral: Angola, África do Sul, Botsuana, Lesoto, Malavi, Moçambique, Namíbia, Suazilândia, Zâmbia e Zimbábue.

África Central: Burundi, Congo, Gabão, República Centro-Africana, Ruanda, São Tomé e Príncipe e Zaire.

África do Norte ou Magreb: Argélia, Líbia, Marrocos e Tunísia.

RECORDES DO CONTINENTE

Ponto mais elevado: Monte Kilimanjaro, 5.895 m (Tanzânia)
Maior depressão: Lago Assal, -155 m (Djibuti)
Maior ilha: Madagáscar, 592.000 km2
Maior mar: Mar Mediterrâneo, 2.507.772 km2
Maior golfo: Golfo da Guiné, 1.530.000 km2
Maior lago: Lago Vitória, 68.100 km2 (Uganda/ Tanzânia/Quênia)
Maior rio: Rio Nilo, 6.671 km2 (Egito)
Maior bacia hidrográfica: Bacia do Congo, 3.690.000 km2
Temperatura máxima registrada: 57,7°C (El Azizia, Líbia)
Temperatura mínima registrada: -23,9°C (Ifrane, Marrocos)
Capital mais elevada: Adis-Abeba, 2.408 m (Etiópia)



MAPA POLÍTICO


O continente Africano dividido em países: Dos 54 países: 48 são continentais e 6 são ilhas.


RODOVIAS
As quatro rodovias principais ligam Messina a George, Cidade do Cabo a Durban, Johannesburgo a Durban e Pretória a Komatipoort, na fronteira com Moçambique.

FERROVIAS
A rede ferroviária sul-africana, tanto a de carga quanto a de passageiros, desenvolveu-se de forma extraordinária.
PORTOS MARÍTIMOS
Constituíram-se também grandes portos marítimos, entre eles o de Durban, Cidade do Cabo, Port Elizabeth e East London.

AEROPORTOS
Os aeroportos internacionais de Johannesburgo, Cidade do Cabo e Durban, juntamente com um grande número de aeroportos de menores dimensões, asseguram as ligações aéreas.

PAÍSES AFRICANOS COM SUAS BANDEIRAS E SUAS CAPITAIS.

Países Continentais
África do Sul (Cidade do Cabo)
Angola (Luanda)
Argélia (Argel)
Benin (Porto Novo)
Botsuana (Gaborone)
Burquina Fasso (Uagadugu)
Burundi (Bujumbura)
Camarões (Iaundê)
Chade (Ndjamena)
Congo, ex-Zaire (Kinshasa)
Congo, República (Brazzaville)
Costa do Marfim (Abidjan)
Djibuti (Djibouti)
Egito (Cairo)
Eritréia (Asmará)
Etiópia (Addis Abeba)
Gabão (Libreville)
Gâmbia (Banjul)
Gana (Acra)
Guiné (Conacri)
Guiné-Bissau (Bissau)
Guiné Equatorial (Malabo)
Lesoto (Maseru)
Libéria (Monróvia)
Líbia (Trípoli)
Malauí (Lilongüe)
Mali (Bamaco)
Marrocos (Rabá) Mauritânia (Nuakchott)
Moçambique (Maputo)
Namíbia (Windhoek)
Níger (Niamei)
Nigéria (Abuja)
Quênia (Nairóbi)
República Centro-Africana (Bangui)
Ruanda (Kigali)
Saara Ocidental (El Aaiún)
Senegal (Dacar)
Serra Leoa (Freetown)
Somália (Mogadíscio)
Suazilândia (Lobamba)
Sudão (Cartum)
Tanzânia (Dodoma)
Togo (Lomé)
Tunísia (Túnis)
Uganda (Campala)
Zâmbia (Lusaka)
Zimbábue (Harare)

Países Insulares
Ilha de Madagascar (Antananarivo)
Ilhas de Cabo Verde (Cidade de Praia)
Ilhas de Comores (Moroni)
Ilhas Maurício (Port Louis)
Ilhas São Tomé e Príncipe (São Tomé)
Ilhas Seychelles (Vitória)
COMPOSIÇÃO DA POPULAÇÃO DA AFRICANA
A população da África é de mais de 850 milhões de habitantes, distribuídos em 54 países e representando cerca de 1/7 da população do mundo.


Monte Kilimanjaro

Na parte norte do continente, inclusive no Saara, predominam os povos caucasóides, principalmente berberes e árabes. Constituem aproximadamente a quarta parte da população do continente. Ao sul do Saara, predominam os povos negróides, cerca de 70% da população africana. Na África meridional, existe uma concentração de povos khoisan, san e khoikhoi Os pigmeus concentram-se na bacia do rio Congo e na Tanzânia. Agrupados principalmente na África meridional, vivem 5 milhões de brancos de origem européia.



Os diversos povos que habitavam o continente africano, muito antes da colonização feita pelos europeus, eram bambambãs em várias áreas: eles dominavam técnicas de agricultura, mineração, ourivesaria e metalurgia; usavam sistemas matemáticos elaboradíssimos para não bagunçar a contabilidade do comércio de mercadorias; e tinham conhecimentos de astronomia e de medicina que serviram de base para a ciência moderna. A biblioteca de Tumbuctu, em Mali, reunia mais de 20 mil livros, que ainda hoje deixariam encabulados muitos pesquisadores de beca que se dedicam aos estudos da cultura negra.

Infelizmente, a imagem que se tem da África e de seus descendentes não é relacionada com produção intelectual nem com tecnologia. Ela descamba para moleques famintos e famílias miseráveis, povos doentes e em guerra ou paisagens de safáris e mulheres de cangas coloridas. "Essas idéias distorcidas desqualificam a cultura negra e acentuam o preconceito, do qual 45% de nossa população é vítima",

Egito estava entre elas, mas raramente é relacionado à África, tanto que, junto com outros países do norte do continente, pertence à chamada África Branca, termo que despreza os povos negros que ali viveram antes das invasões dos persas, gregos e romanos.




O Continente africano era dividido em reinos antes da chegada dos europeus, o Congo, era dividido em aldeias familiares, distritos e províncias e todos os governadores eram conselheiros do rei.
No império de Gana, os monarcas se reuniam todos os dias com os súditos para papear, ouvir reclamações e tomar decisões. Essas informações são comparadas com o modo de vida do negro no nosso país, na época da escravidão, nos quilombos e nos dias de hoje.
"A tradição oral é forte nas culturas africanas, mas os povos também sabiam ler, escrever e viviam em cidades desenvolvidas",


Marrocos


GRANDE ESFINGE

A África é o continente mais pobre do mundo. Cerca de 1/3 dos habitantes da África vivem com menos de 1 dólar ao dia, abaixo do nível da pobreza definido pelo Banco Mundial. O avanço de epidemias, o agravamento da miséria e os conflitos armados levam esta região a um verdadeiro caos. Além disso, quase 2/3 dos portadores do vírus HIV do planeta vivem neste continente.

O atraso econômico e a ausência de uma sociedade de consumo em larga escala, colocam o mercado africano em segundo plano no mundo globalizado. O PIB total da África é de apenas 1% do PIB mundial e o continente participa de apenas 2% das transações comerciais que acontecem no mundo. A doença do sono ameaça mais de 60 milhões de pessoas em 36 países da África.

FOME E SUBNUTRIÇÃO CRÔNICA
Há fome e subnutrição crônica em quase 20 países. O maior problema na área da saúde é a propagação de epidemias.

A região do planeta que mais sofre com a fome provavelmente seja a África, onde a situação parece a cada dia piorar apesar da ajuda humanitária.

Existem imagens que falam mais que palavras então, olhe e reflita.
Por causa da Aids, a expectativa de vida dos africanos em 1990, ela era de 59 anos e
deve baixar para 45 anos.

Cerca de 90% dos casos mundiais de malária ocorrem na África e 71% dos portadores do vírus HIV no planeta vivem na região.

Em Botsuana e Zimbábue a Aids atinge 1 em cada 4 adultos.



A África está separada da Europa pelo mar Mediterrâneo e liga-se à Ásia na sua extremidade nordeste pelo canal de Suez. Ao norte, é banhada pelo oceano Atlântico na sua costa ocidental e pelo oceano Índico do lado oriental.
O MAPA DA FOME



Tunizia


Personagens do filme Madagascar

A ilha de Madagascar é a quarta maior ilha do mundo. A costa oeste possui uma vegetação desértica, com baobás e arbustos espinhosos.

O deserto da Namíbia é do tipo costeiro com grandes dunas, banhado por correntes frias do Oceano Atlântico. A região é praticamente desabitada. Navio encalhado em banco de areia.



Navio encalhado na Namíbia

Dunas da Namíbia


Acácias e dunas no deserto da Namíbia

Ocupa uma área de 30 milhões de quilômetros quadrados, ou seja, 20.3% da superfície do Planeta Terra.
Acomoda 850 milhões de pessoas em 53 países que se comunicam em 2.019 línguas diferentes.


Costa da Somália





Comércio de artesanato

HIDROGRAFIA
A maior bacia fluvial da África é a do rio Congo. O rio Nilo, com 6.690km, é o primeiro mais longo do mundo. O Zambeze e o Limpopo correm para o Índico. O Orange, o Níger, o Gâmbia e o Senegal desembocam no Atlântico.

Cataratas Vitória - Localizadas no rio Zambeze, na fronteira entre a Zâmbia e o Zimbábue. Com 108 metros de altura, è a maior queda d'água da África. O britânico David Livingstone foi o primeiro europeu a ver as cataratas, em 1855, e batizou-as em homenagem rainha Vitória.

Os principais lagos africanos são: o Vitória, segundo do mundo em superfície, com 69.485km2, o Tanganica, o Rodolfo, o Alberto, o Eduardo e o Niassa.


Há poucos rios na África, mas grandes e extensos como o Rio Nilo com mais de 6.500 km de extensão, o maior do mundo em extensão.

Tanzânia
RIO NILO –6.500 Km

Clima
O clima quente predomina na maior parte da África, tanto na zona tropical - úmida no verão e seca no inverno-quanto na zona equatorial, com temperaturas elevadas e chuvas abundantes.

Dromedários
Nos grandes desertos, como o Saara e o Kalahari, as temperaturas são altas de dia e baixas à noite. No norte e no sul predomina o clima seco de tipo mediterrâneo.


Deserto da Líbia

Fauna e flora
Ao norte e ao sul da selva equatorial, estendem-se as savanas, com sua vegetação herbácea e árvores de grande porte, como o Baobá. Nos desertos, a cobertura vegetal é escassa, exceto nos oásis, onde crescem palmeiras. Nas zonas temperadas há bosques baixos de pinheiros e carvalhos e vegetação de arbustos.


A fauna é uma das mais ricas do mundo. Na floresta equatorial há muitas aves, símios (chimpanzés e gorilas), répteis e anfíbios. Na savana, rinocerontes, girafas, elefantes, hipopótamos, leões, leopardos e hienas. No deserto, chacais, insetos e répteis. Na zona mediterrânea, lebres, cabras, raposas e aves de rapina.

Quanto à fauna, a África apresenta duas zonas diferenciadas. A do norte e noroeste, que inclui o Saara. A outra zona é a da África ao sul do Saara, com uma grande variedade de animais, entre os quais estão os antílopes, as girafas, os elefantes africanos, os leões e os leopardos.











Chitas-África




Flamingos rosa, em lago da África. O flamingo é uma ave pernalta (cegonhas), com pescoço longo e fino. Vivem em colônias com centenas.










Leão africano

O Deserto do Saara, com os seus cerca de 9 milhões de quilômetros quadrados, forma uma espécie de barreira natural que divide o continente africano em duas partes muito distintas. Ao norte encontramos uma organização sócio-econômica muito semelhante à do Oriente Médio, formando um mundo islamizado. Ao sul temos a chamada África Negra.


Saara- maior deserto




Uma leoa observa uma manada de gnus e avalia suas chances de caça. Os gnus são uma espécie de antílope africano que vivem em grandes manadas e fazem migrações sazonais em busca de pasto.


O continente africano é um território banhado pelo Oceano Atlântico, pelo Mar Mediterrâneo e pelo Oceano Índico, onde provavelmente surgiram os primeiros seres humanos.



O Egito foi provavelmente o primeiro estado a constituir-se na África, há cerca de 5.000 anos. A maioria dos Estados africanos é considerada parte do Terceiro Mundo.



PIRAMIDES GIZE

VISÃO NOTURNA DAS PIRAMIDES

A África é muito rica em recursos minerais. Tem grandes jazidas de carvão, reservas de petróleo e de gás natural, bem como reservas de ouro, diamantes, cobre, bauxita, manganês, níquel, rádio, germânio, lítio, titânio e fosfato.


DADOS DO CONTINENTE, JUNTAMENTE COM O ANO A QUE SE REFEREM.
Área total: 30.272.922 km2
População: 783.700.000 (2000)
Densidade: 25,88 hab/km2 (2000)
População urbana: 289.964.000 (37%)
População rural: 493.731.000 (63%)
Taxa de crescimento urbano (1995-2000): 4,3%
Analfabetismo: 40,3% (2000)
Natalidade: (% hab): 37% (1998)
Mortalidade: (% hab): 13% (1998)



A PAZ, UM DESAFIO AFRICANO.



Os soldados nigerianos da força de paz da África Ocidental são aclamados pela multidão ao entrarem em Monróvia, na Libéria.

APARTHEID

NELSON MANDELA FOI UMA DAS FIGURAS DA OPOSIÇÃO AO APARTHEID

Apartheid ("vida separada") é uma palavra de origem africana, na África do Sul para designar um regime segundo o qual os brancos detinham o poder e os povos restantes eram obrigados a viver separadamente, de acordo com regras que os impediam de ser verdadeiros cidadãos. As traduções mais adequadas são segregação racial ou política de segregação racial.

O Prêmio Nobel da Paz e ex-presidente da África do Sul Nelson Mandela reuniu 32 histórias populares de seu continente na antologia "Meus Contos Africanos"
"É uma coleção de relatos profundos, demonstrações da valente essência da África, que em muitos casos são também universais pelo retrato que fazem da humanidade, dos animais e dos seres místicos".
As sanções internacionais por causa do apartheid decretadas pela comunidade internacional representaram um sério revés econômico. Além do turismo, essas medidas afetaram a exportação e a importação, e grandes empresas estrangeiras retiraram-se do país. Somente no final do século XX a situação começou a se normalizar.
LOCAL DA ORIGEM DO APARTHEID: ÁFRICA DO SUL

“O Ato de Terras Nativas” forçou o negro a viver em reservas especiais, criando uma gritante desigualdade na divisão de terras do país, já que esse grupo formado por 23 milhões de pessoas ocuparia 13% do território, enquanto os outros 87% das terras seriam ocupados pelos 4,5 milhões de brancos. A lei proibia que negros comprassem terras fora da área delimitada, impossibilitando-a de ascender economicamente ao mesmo tempo que garantia mão de obra barata para os latifundiários brancos.
Nas cidades eram permitidos negros que executassem trabalhos essenciais, mas que viviam em áreas isoladas (guetos).
As “Leis do Passe” obrigava os negros a apresentarem o passaporte para poderem se locomover dentro do território, para obter emprego.

OS CONFLITOS
Os conflitos atuais da África são motivados pela combinação de causas variadas,

étnico (Ruanda, Mali, Somália, Senegal),
religioso (Argélia), ou político (Angola, Uganda).
litígios territoriais, muito freqüentes na África Ocidental. No meio desses conflitos que atormenta a África neste final de século, estão vários povos e nações que buscam sua autonomia e sua autodeterminação face a poderes centrais autoritários, exercidos muitas vezes por uma etnia majoritária.






Cartaz na África do Sul com indicação "Somente para brancos"
MAIOR CONCENTRAÇÃO DE REFUGIADOS

PRONCIPAIS ZONAS DE CONFLITO


PAISES DEMOCRATICOS OU EM PROCESSO DE DEMOCRACIA

Garantir a paz e a segurança na África:
Um novo desafio que os dirigentes africanos querem enfrentar.
Na Somália, oito clãs disputam o poder numa guerra civil que dilacerou completamente o país. Na Libéria, a guerra interna matou mais de 150 mil pessoas e produziu cerca de 700 mil refugiados. Cifra semelhante pode ser verificada na vizinha Serra Leoa. A situação não é muito diferente em países como o Chade ou Sudão. Enfim, são vários e vários conflitos sem perspectivas imediatas de pacificação. Acordos e negociações têm sido tentados, mas sem muito sucesso. Talvez Angola possa se transformar numa exceção, face a mais uma tentativa de paz (a última?) acordada entre o Movimento pela Libertação de Angola (MPLA), no governo, e o seu arquirival, a União Total para a Libertação de Angola (UNITA), organização que durante muitos anos recebeu apoio dos EUA e do criminoso regime do apartheid sul-africano.

UMA NECESSIDADE CRUCIAL DE AJUDA MATERIAL

Para realizar com sucesso essas operações de manutenção da paz, os países africanos, que dispõem de recursos limitados, necessitam crucialmente da ajuda material e financeira dos países desenvolvidos. Responder a essa demanda é o objetivo do programa militar Reforço das Capacidades Africanas de Manutenção da Paz.

RELIGIOSIDADE E RITOS
Elementos de admiração dentro das Religiões Tradicionais Africanas


NA ESFERA RELIGIOSA
A religiosidade africana tem muito para dizer sobre Deus. O monoteísmo africano focaliza Deus como sendo o criador e toda a sustentação eterna de todas as coisas.

Há uma opinião difundida em um deus supremo, original e transcendente.
A opinião da vida após a morte é incorporada nos mitos e em cerimônias funerais.
O mundo invisível dos espíritos e dos antepassados está sempre atualizado, e as intenções desses espíritos podem ser verificadas; muito cuidado é tomado para verificar sempre a vontade dos espíritos e para quem os sacrifícios podem ser oferecidos, ou de quem a proteção pode ser dada.
A purificação corporal é obrigatória.
Acredita-se que o mau caminho prejudica toda a comunidade, então são feitos alguns rituais periódicos de purificação, a fim promover o bem-estar público.
O perdão é final e reconhecido por todos: uma ofensa, uma vez perdoada, nunca mais é recordada.

Não poderia ser mais de um deus que fez os homens e a terra, que criou o céu e as montanhas, as águas e a luz, as estrelas e a lua, que ainda cria bebês. Em todo o argumento, o ato da criação, por exemplo, é atribuído ao um deus no singular, o “Deus da Criação”.

NA ESFERA RITUAL
Os antepassados e os mortos são invocados por rituais.
Os ciclos anuais e os estágios da vida são santificados pela ação ritual.
Rituais de passagem, de iniciação e de consagração são fortemente difundidos.
Há muitos ritos de purificação para as pessoas e para a comunidade.
NA ESFERA DA MORAL RELIGIOSA

Há um respeito para a vida: as crianças são estimadas, os abortos são abominados.
Ser fiel nos empreendimentos é considerado como, ver o homem como de bem.
O erro (pecado) é percebido em suas dimensões pessoais e íntimas.
Na moderação no uso do álcool: somente os adultos podem beber. A embriaguez é vergonhosa.

NA ESFERA DE CULTURAL RELIGIOSA:

A tradição é percebida com as histórias, nos poemas, nos hinos, nos provérbios, nas cirandas e na arte.
A comunidade inteira é envolvida no treinamento dos jovens, e na instrução necessária de toda a comunidade e um aspecto social.
Os mais velhos tem uma estima muito elevada pela comunidade.
Consideram sua sabedoria como profética, isto é, com a capacidade de dar o sentido total e certo para viver nas circunstâncias dos dias atuais.
O silêncio é respeitado como grande valor e qualidade.
Outras das fortes marcas dos africanos no Brasil são os ritmos religiosos: Candomblé, umbanda, macumba.

Quando se perde um ente querido, seus parentes e amigos se reúnem em volta do cadáver, fazendo soar o ritmo kitolo. Os presentes começam a SAMBAR para que Deus tenha em seus cuidados o ente querido. Normalmente estes começam a "dançar" ao pôr-do-sol, e terminam ao amanhecer, momento em que sepultam o cadáver. Os movimentos e até mesmo os ritmos assemelham-se ao Samba brasileiro tendo como principal diferença nesta altura a expressão dos rostos de quem as dança, enquanto o Bacongo cobre-se de panos e chora, a brasileira descobre-se (quase nua) e o faz por razões alegres. Portalafro

Cena de Batismo

Mesquita
A CULTURA DO TERREIRO

A cultura do terreiro é transmitida através de um amplo conjunto de textos orais. São transmitidos de geração a geração diretamente dos mais antigos aos mais jovens. Trata-se de cânticos, invocações e nomes atributivos - os oriki -, textos míticos, textos ligados às diversas cerimônias, história de seres ou animais naturais ou sobrenaturais, atividades rituais e de acontecimentos que pela sua carga fantástica ou excepcional transformaram-se em lendas ou parábolas.
Os escravos adoravam seus orixás através de santos católicos, dando origem às religiões afro-brasileiras como o umbanda e batuque.



ESTILOS MUSICAIS DE REGIÕES AFRICANAS
texto de Abdu Ferraz

KILAPANGA, seu compasso rítmico assemelha-se aos estilos caribenhos "grito de festa" e pelas quitaras devidamente rítmicas.
WALA, estilo musical satírico, diversão e lazer; este ritmo está presente no Rap Norte Americano.
KITOLO é o ritmo tocado para demonstrar a tristeza, a realização de alguma prece, lamentação, sátiras etc. É muito tocado nos velórios ao norte de Angola.
SEMBA, sua semelhança ao Samba não é relativamente ortográfica; existe nela um compasso que freqüentemente caracteriza o bom samba a presença da cuíca os assemelha.
KIZOMBA assemelha-se ao estilo caribenho. O estilo se identifica muito com as ilhas africanas e das Américas.




Racismo negro
“Quando eu nasci, eu era preto
Quando cresci, era preto
Quando pego sol, fico preto
Quando sinto frio, continuo preto
Quando estou assustado, também fico preto
Quando estou doente, preto
E quando eu morrer, continuarei preto!
E você cara branco,
Quando nasce, você é rosa
Quando cresce você é branco
Quando pega sol, você fica vermelho
Quando sente frio, fica roxo
Quando você se assusta, fica amarelo
Quando está doente, fica verde
E quando você morrer, ficará cinzento…”
E Você vem me chamar de homem de cor???!!!


AFRICANOS NO BRASIL NÃO POR OPÇÃO
MAS POR IMPOSIÇÃO COMERCIAL


ESCRAVIDÃO E A FORMAÇÃO SÓCIO-CULTURAL DO BRASIL



Ao iniciar-se o tráfico de escravos para a América, dos negros aprisionados na Africadas mais variadas raças que eram trazidos e vendidos para o trabalho forçado em regime de completa escravidão, e entre elas encontramos os Gêges, Nagôs e Hauras, que se confundem com os bantu, procedentes em sua maior parte da Angola, do Congo, de Benguela, de Cambinda, de Mossamedes que foram trazidos contra sua vontade mas, naturalmente trouxeram sua cultura, sua vivência e, com ela a semente da liberdade que nunca morreu, mesmo na terra marcada pelos horrores da escravidão, e que chegavam no Brasil através dos três maiores centros de importação de mercadorias negras: Recife, Salvador e Rio de Janeiro, e eram distribuídos através das lavouras, aos encargos domésticos dos senhores brancos e ao trabalho nas minas. E para tornar o negro escravo, os escravistas suprimiam sua cultura, sua alma e torturavam, pois somente se interessavam pelo corpo e sua força de trabalho.



É nessa corrente da interdisciplinaridade e pluralidade que se une a todos os processos do conhecimento: o homem, ser social, fazendo e sendo produto da cultura, que é a resposta oferecida pelos grupos humanos ao desafio da existência. Assim, a cultura brasileira se permitiu e se permite ser muito da cultura Africana.

E essa cultura era guardada no corpo, na mente, na vivência histórica do povo e transmitida há séculos através das gerações e que manifestava-se por intermédio da música, da dança, da comida, da filosofia e da religião. E como o negro nunca deixou de praticar sua cultura, era comum durante o período da escravidão, que se juntassem grupos de homens e mulheres para a cantoria, para a dança e mesmo para o culto aos orixás que também são saudados com ritmos e cantos.




INSTRUMENTOS MUSICAIS:

As marcas africanas em nossa cultura são inúmeras: como atabaque, agogô, berimbau e cuíca, e ritmos como o samba, o batuque e o maracatu, etc

A presença africana na música brasileira, pelo menos em referências expressas, vai se tornando cada vez mais rarefeita. Aparece, via Jamaica, no carnaval dos blocos afro baianos e nos sambas-enredo das escolas cariocas e paulistanas – especialmente nas homenagens a divindades.
Como é o caso do samba e do carimbó, típico do Pará; do coco, dança de roda do sertão e do litoral nordestino; do maracatu, muito freqüente no Nordeste e do jongo, batuque de terreiro comum em cidades do Sudeste.

Apesar de tantos serem os ritmos musicais que caracterizam a África Negra e mesmo sendo expressiva sua cultura musical nas mais diversas nações das Américas e nas ex-metrópoles, escassa é a bibliografia para abordar este elemento antropológico.
A civilização negra-africana procede de uma visão unitária do mundo. Nenhum domínio é autônomo. O mesmo espírito anima e liga a filosofia, a religião, a sociedade e a arte negra-africana. As artes na África Negra estão interligadas: o poema à música, a música à dança.








DESTAQUES AFRO DESCENDEBTES NO ESPORTE
Jogadores de futebol de ascendência africana tornaram-se ídolos nacionais, como:
Leonidas da Silva, o Diamante Negro, nos anos 1930;
Tomás Soares da Silva. Zizinho , nos anos 1950e 1960; e
Edson Arantes do Nascimento, Pelé, eleito a atleta do século XX.
Adhemar Ferreira da Silva, medalha de ouro em salto triplo nas Olimpíadas
João Carlos de Oliveira, o João do Pulo, recordista mundial e medalha de ouro em salto triplo nos Jogos Pan-Americanos.
Ronaldinho Gaúcho, jogador do Milan Itália;
Daiane dos Santos, na ginástica


ARTESANATO
A arte africana chegou ao Brasil através dos escravos, que foram trazidos para cá pelos portugueses durante os períodos colonial e imperial. Em muitos casos, os elementos artísticos africanos fundiram-se com os indígenas e portugueses, para gerar novos componentes artísticos de uma magnífica arte afro-brasileira.
Biju de de maderia e marfim...caixas...casal africano...elefantes e objetos em marfim...porta retratos...porta talheres...





Casinhas e cartões feitos com folhas de bananeira...


Tela colorida e em preto e branco...


Tela feitas com a técnica do batik...


Varal de capulanas (espécie de canga usada pelas mulheres daqui) sendo em sua maioria, pintadas com a técnica do batik e móveis de madeira e móveis em palha...


Aqui a gente vê a arte sendo feita na rua, neste caso...colchas e toalhas para mesa feitos em crochê...cada uma mais linda que a outra...



Igbo-Ukwu: arte africana em bronze



Opon Ifá Tabuleiro esculpido em madeira desenhado por André Koehne





Já Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, filho de uma escrava, consagrou-se como um dos maiores arquitetos e escultores brasileiros de todos os tempos.

SEGREDOS ANCESTRAIS
Algumas plantas têm segredos que as empresas farmacêuticas gostariam de conhecer. Como as virtudes do cacto hoodia, consumido desde sempre pelos bushmen da África do Sul para evitar a fome e a sede durante os períodos de caça e que foi utilizado pelo laboratório inglês Phytopharm para extrair um remédio anti-obesidade.




"DESTINO IMPRESSO NA COR DA PELE"

Com a escravização, milhares de negros das mais variadas culturas acabaram se misturando e tiveram de passar a conviver juntos, criando laços de comunicação e de socialização. A historiadora Marina de Mello e Souza, em seu artigo "Destino impresso na cor da pele", relata que "ao serem arrancados de suas aldeias e transportados pelo continente africano, rumo às feiras regionais e aos portos costeiros, os escravos de diferentes etnias misturaram-se, aprenderam a se comunicar, criaram novos laços de sociabilidade que se consolidaram durante os horrores da travessia atlântica, e se institucionalizaram no seio da sociedade escravista colonial, à qual foram inseridos à força, acabando por encontrar formas de integração".

No Censo 2000, 50% dos brasileiros declararam ser afro-descendente. A questão bantu é complexa. Isso observamos, na luta pela valorização da identidade negra no Brasil. Ao afirmar a "negritude", muitos afirmam principalmente valores dos iorubas, jejes, quêtos.

CURIOSIDADES
......"Eles precisavam justificar o tráfico das pessoas e a escravidão nas colônias e para isso 'animalizaram' os negros". Conta que, no século XVI, alguns zoológicos europeus exibiam negros e indígenas em jaulas, colocando na mesma baia indivíduos de grupos inimigos, para que brigassem diante do público. Além disso, a Igreja na época considerava civilizado somente quem era cristão.

25 DE MAIO É O DIA DA ÁFRICA – SELOS EM SUA HOMENAGEM

Emitido em 12/05/1988 com valor facial de Cr$ 50,00.



Selo emitido pelo Brasil em 2000, com valor facial de R$ 1,10.

Emitido pela África do Sul em 2003, com valor facial de 11,70 randes.



Postal emitido pela Zâmbia que mostra uma das árvores mais interessantes do Continente Africano, o Baobá.


Conta uma lenda que estas árvores eram as mais vistosas da vegetação criada por Deus... Mas devido à sua extrema vaidade, Deus castigou-as e virou-as ao contrário, daí o seu aspecto característico, parecendo que têm as raízes fora da terra, em lugar dos ramos...

Baobá, árvore nacional de Madagáscar e emblema nacional do Senegal. Os baobás são um gênero de árvore com oito espécies, nativas de Madagascar.

As espécies podem alcançar até 25 metros de altura e até 7 metros no diâmetro do tronco. Destaca-se pela capacidade de armazenamento de água dentro do tronco, que pode alcançar até 120.000 litros.


A ÁFRICA DE SUCESSO


O Centro de Exploração do Cabo Submarino, no Benin. Esse cabo de fibras óticas foi instalado a pedido de diversos operadores de telecomunicações africanos. Ele liga a África ao resto do mundo e permitirá o desenvolvimento das telecomunicações no continente.
AFRO-PESSIMISMO OU AFRO-OTIMISMO?

Se, por um lado, a mídia veicula uma imagem miserável de um continente constantemente arrasado por guerras, pela fome ou por doenças, por outro, há uma multiplicidade de exemplos positivos de uma África de sucesso e provas concretas de uma economia em pleno crescimento.
Fala-se com muita freqüência da África como se fosse um único país, quando, na verdade, trata-se de 54. Um amálgama grosseiro permeado de lugares-comuns, como acreditar que a África é apenas uma terra de misérias, quando alguns países podem ser verdadeiros eldorados para o mundo dos negócios.

45% da população brasileira é de descendência africana, chegando a 80% na cidade de Salvador, onde as culturas dos vários reinos de onde foram trazidos radicaram-se e foram transmitindo seus costumes, hierarquias, línguas, concepções estéticas, dramatizações, literatura, mitologia, visão de mundo e sobretudo a sua religião.




Em história, Vamos relembrar os principais fotos ocorridos na ordem cronológica dos acontecimentos. A Saga africana em nosso País e sua herança em todos os aspectos culturais do povo brasileiro.

Em todo o período colonial, entraram no Brasil entre 3.300.000 a 3.600.000 negros. Após a chegada dos Europeus na África, algumas tribos tornaram-se especialistas em caçar, vender e trocar os prisioneiros com os comerciantes. Na venda e na viagem para o Brasil, parentes e amigos eram separados. Muitos morreram nos porões sujos dos navios negreiros.

TRÁFICO DE ESCRAVOS – O comércio de escravos negros entre a África e o Brasil é dominado por portugueses, espanhóis, ingleses e holandeses e ocorre durante o período colonial, de 1530 a 1850. Nesse intervalo chegam ao país cerca de 4 milhões de cativos trazidos do continente africano, especialmente de Guiné, Costa do Marfim, Mali, Congo, Angola, Moçambique e Benin.

Depois de vários dias em porões infectos, onde morriam aos magotes, os negros sobreviventes (que às vezes não passavam da metade dos inicialmente embarcados) eram expostos na cidade.


Mercado de escravos. Debret, BMSP

TÁBUA CRONOLÓGICA “REFLEXIVA” SOBRE A ÁFRICA E SEUS NEGROS,
COM FATOS DA ESCRAVIDÃO E DA NEGRITUDE.


Porão de um navio negreiro
1510_ Tem início o tráfico de escravos da África para a América...
1550 – Primeira leva de escravos africanos chega em Salvador, na Bahia...
1568 – No Brasil, tem início a escravidão africana, onde cada senhor de engenho teve o direito de adquirir até 120 escravos por ano...
1831 – Lei declara livres todos os escravos que entrassem no Brasil após esta data...
1834 – A escravidão é abolida em todo o Império Britânico...
1845 – A Inglaterra promulga a Bill Aberdeen, que lhe dá o direito de aprisionar qualquer embarcação que traficasse escravos...
1850 – No Brasil, a Lei Eusébio de Queiroz acaba com o tráfico de escravos...
1857 – RS, no Colégio de Artes Mecânicas, a lei mandava recusar matrículas às crianças de cor preta e aos escravos e pretos, "ainda que libertos e livres"...
1865 – É criada em Pulaski, no estado americano de Tennessee, uma sociedade secreta de nome Klu Klux Klan, que prega o fim da raça negra. O nome refere-se ao termo grego "kuklos" que significa círculo...
1871 – A Lei do Ventre Livre liberta os filhos de escravos...
1884 – A África é dividida pelas potências européias na Conferência de Berlim...
1885 – No Brasil, a Lei dos Sexagenários torna livres os escravos com mais de 60 anos...
1888 – A Lei Áurea abole a escravidão no Brasil... Abaixo, um selo brasileiro sobre o Centenário da Abolição da Escravatura.
1890 – O Ministro da Fazenda Rui Barbosa manda queimar todos os registros sobre a escravidão no Brasil...
1935 – Santa Catarina elege a primeira deputada negra do país: Antonieta de Barros...
1948 – O Partido Nacionalista vence as eleições na África do Sul dando início a política conhecida como “Apartheid”...
1955 – A costureira negra, Rosa Parks, recusa-se a ceder seu assento em um ônibus para uma passageira branca, nos Estados Unidos...
1963 – Nelson Mandela é preso na África do Sul por se opor ao regime... Mas, depois de tantos anos de segregação racial, em 1994, Mandela é eleito presidente da África do Sul...

Reflita..... Por que o Brasil precisou criar tantas leis para libertar os escravos?
Por que o nome praia Porto de Galinhas em Recife?
Faça o cálculo 2.008 menos 1.888 igual a............... anos de abolição da escravatura.
CAMPANHA ABOLICIONISTA
A escravidão havia começado a declinar com o fim do tráfico de escravos em 1850. Progressivamente, imigrantes europeus assalariados substituem os escravos no mercado de trabalho. Mas é só a partir da Guerra do Paraguai (1865-1870) que o movimento abolicionista ganha impulso. Milhares de ex-escravos que retornam da guerra vitoriosos, muitos até condecorados, se recusam a voltar à condição anterior e sofrem a pressão dos antigos donos.

Aplicação do castigo da chibata. Jean-Baptiste Debret

LEI DO VENTRE LIVRE– O Partido Liberal, de oposição, compromete-se publicamente com a causa, mas é o gabinete do visconde do Rio Branco, do Partido Conservador, que promulga a primeira lei abolicionista, a Lei do Ventre Livre, em 28 de setembro de 1871. De poucos efeitos práticos, ela dá liberdade aos filhos de escravos nascidos a partir dessa data, mas os mantém sob a tutela de seus senhores até atingirem a idade de 21 anos. Em defesa da lei, o visconde do Rio Branco apresenta a escravidão como uma "instituição injuriosa", que prejudica, sobretudo, a imagem externa do país.
CAMPANHA ABOLICIONISTA– Em 1880, políticos e intelectuais importantes, como Joaquim Nabuco e José do Patrocínio, criam, no Rio de Janeiro, a Sociedade Brasileira contra a Escravidão, que estimula a formação de dezenas de agremiações semelhantes pelo país. Advogados, artistas, intelectuais, jornalistas e parlamentares engajam-se no movimento e arrecadam fundos para pagamento de cartas de alforria, documento que concedia liberdade ao escravo. O país é tomado pela causa abolicionista. Em 1884, o Ceará antecipa-se e decreta o fim da escravidão em seu território.

Feitores castigando negros. Jean-Baptiste Debret

Joaquim Nabuco
LEI DOS SEXAGENÁRIOS– A decisão cearense aumenta a pressão da opinião pública sobre as autoridades federais. Em 1885, o governo cede mais um pouco e promulga a Lei Saraiva-Cotegipe. Conhecida como Lei dos Sexagenários, ela liberta os escravos com mais de 60 anos, mediante compensações a seus proprietários. A lei não apresenta resultados significativos, já que poucos cativos atingem essa idade e os que sobrevivem não têm de onde tirar o sustento sozinhos.

Princesa Isabel
LEI ÁUREA– Em 13 de maio de 1888, o governo imperial rende-se às pressões, e a Princesa Isabel assina a Lei Áurea, que extingue a escravidão no Brasil. A decisão desagrada aos fazendeiros, que exigem indenizações pela perda de seus "bens". Como não as conseguem, aderem ao movimento republicano como forma de pressão.
O fim da escravatura, porém, não melhora a condição social e econômica dos ex-escravos. Sem formação escolar nem profissão definida, para a maioria deles a simples emancipação jurídica não muda sua condição subalterna, muito menos ajuda a promover sua cidadania ou ascensão social. Fonte: Almanaque Abril 2001

Negros no tronco. Jean-Baptiste Debret

A cor da cultura

A Cor da Cultura foi desenvolvido para suprir a ausência do estudo da história e cultura afro-brasileiras e africanas no currículo das escolas. Por enquanto 7 estados - São Paulo, Rio Grande do Sul, Pará, Maranhão, Bahia, Rio de Janeiro e Mato Grosso do Sul - Até 2002, apesar da profunda influência de africanos e afro-descendente no Brasil há cinco séculos - em diversas áreas como na economia, na política e nas relações sociais - o governo ainda não havia desenvolvido políticas de inclusão desse estudo nas instituições de ensino do país.



Ao contrário do que muitos pensam, os negros não aceitaram pacificamente o cativeiro; a história brasileira está cheia de episódios onde os escravos se rebelaram contra a humilhante situação em que se encontravam. Uma das formas dessa resistência foi o quilombo; comunidades organizadas pelos negros fugitivos, em locais de difícil acesso. Geralmente em pontos altos das matas. O maior desses quilombos estabeleceu-se em Pernambuco no século XVII, numa região conhecida como Palmares. Uma espécie de Estado africano foi formado. Distribuído em pequenas povoações chamadas mocambos e com uma hierarquia onde no ápice encontrava-se o rei Ganga-Zumbi, Palmares pode ter sido o berço das primeiras manifestações da Capoeira.

ZUMBI DOS PALMARES
Líder escravo alagoano. Símbolo da resistência negra contra a escravidão, é o último chefe do Quilombo dos Palmares.


Zumbi dos Palmares
ZUMBI (1655-1695) nasce na comunidade de Macaco, na Serra da Barriga, capital de Palmares. Ainda criança é capturado por soldados e entregue ao padre Antônio Melo, que o batiza com o nome Francisco e o torna coroinha. Aos 15 anos foge para Palmares e adota o nome Zumbi. Ascende ao comando militar do quilombo, então governado pelo tio, o rei Ganga Zumba. Em 1678, Zumbi renega o acordo e provoca uma guerra civil no quilombo. Ganga Zumba sai de Palmares e Zumbi assume seu lugar. Pouco tempo depois, Ganga Zumba morre envenenado. Acredita-se que um partidário de Zumbi tenha sido responsável pelo ato. Este lidera a resistência contra os portugueses, que dura 14 anos. Em 1692 derrota a expedição comandada por Domingos Jorge Velho. Dois anos mais tarde sucumbe aos ataques e foge, mas continua a resistência contra os brancos. Traído, tem o esconderijo descoberto e acaba morrendo numa emboscada.
No decorrer do século XX, surgem inúmeros movimentos e entidades para defender os direitos da população negra e lutar por cidadania plena. Um dos grandes símbolos dessas manifestações é Zumbi, o maior líder do Quilombo dos Palmares. O dia de sua morte, 20 de novembro, é transformado em Dia Nacional da Consciência Negra.
Remanescentes de quilombos - Ao contrário do que se supôs por muito tempo, sobrevivem no Brasil várias comunidades negras que nasceram como quilombos. Em 2000, a Fundação Cultural Palmares, ligada ao Ministério da Cultura, identifica 724 dessas comunidades em todo o país, 72,3% na Região Nordeste, concentradas principalmente na Bahia e no Maranhão. No Sudeste elas existem em maior número em São Paulo e Minas Gerais. Segundo a fundação, 38 comunidades já foram reconhecidas.

Casa de um quilombo remanescente – Ivaporunduva

Planta do quilombo Buraco do Tatu, EA
Nele se incluem não apenas negros fugitivos, mas também índios perseguidos, mulatos, curibocas, pessoas perseguidas pela polícia em geral, bandoleiros, devedores do fisco, fugitivos do serviço militar, mulheres sem profissão, brancos pobres e prostitutas.
A quilombagem articula-se nacionalmente, desde os primórdios da escravidão, atravessa todo o sistema escravista, desarticulando-o constantemente, e assume, muitas vezes, aspecto ameaçador para a classe senhorial, como no caso da República de Palmares.

Tombamento


MINISTÉRIO DA CULTURA
GABINETE DO MINISTRO
DESPACHO DO MINISTRO
Em 20 de Novembro de 1985.




Nos termos da lei n°. 6.292, de 15 de novembro de 1975, e para os efeitos do Decreto-Lei n°. 25, de 30 de novembro de 1937, HOMOLOGO o tombamento da área da Serra da Barriga, localizada no Município de União dos Palmares, no Estado de Alagoas, cuja delimitação consta do Processo n°. 1.069-T-82-SPHAN.
ALUÍSIO PIMENTA
(Of. N°. 19 / 86)



CONSCIÊNCIA NEGRA

Em 20 de novembro de 2003, data nacional, constante no calendário escolar brasileiro. Rememorando a morte de Zumbi, último líder do quilombo dos Palmares, em 1695, a data, transformada em feriado por diversos municípios, pretende homenagear as lutas históricas e propor que se pense e se atente ao papel dos negros na sociedade contemporânea. Por contraditório que pareça, nossa galeria não é um tributo à “raça” negra.
O conceito de raça certamente é um dos mais problemáticos que herdamos do século XIX. A idéia que os seres humanos teriam uma hierarquia de virtudes e defeitos em decorrência de suas diferenças, sendo então possível afirmar a superioridade de umas frente às outras — serviu desde então para “normalizar” e justificar as mais diversas atrocidades passadas e futuras.






LEI BRASILEIRA CONTRA O RACISMO X REALIDADE SOCIAL

Os artigos são reveladores:
Artigo 3º - Impedir ou obstar o acesso de alguém devidamente habilitado, a qualquer cargo da Administração Direta ou Indiretamente, bem como das concessionárias de serviços públicos: Pena – reclusão de 2 a 5 anos.
Artigo 4º - Negar ou obstar emprego em empresa privada;
Artigo 5º - Recusar ou impedir acesso a estabelecimento comercial, negando-se a servir, atender ou receber cliente ou comprador;
Artigo 6º - Recusar, negar ou impedir a inscrição ou ingresso de aluno em estabelecimento de ensino público ou privado de qualquer grau;
Artigo 7º - Impedir o acesso ou recusar hospedagem em hotel, pensão, estalagem, ou qualquer estabelecimento similar;
Artigo 8º - Impedir acesso ou recusar atendimento em restaurantes, barres, confeitarias ou locais semelhantes aberto ao público;
Artigo 9º - Impedir o acesso ou recusar o atendimento em estabelecimentos esportivos, casas de diversões ou clubes sociais abertos ao público;
Artigo 10 – impedir o acesso ou recusar atendimento sem salões de cabeleireiros, barbearias, termas ou casas de massagem ou estabelecimentos com a mesma finalidade;
Artigo 11 – Impedir o acesso ás entradas oficiais em edifícios públicos ou residenciais e elevadores ou escada de acesso aos mesmos;
Artigo 12 – Impedir o acesso ou o uso de transportes públicos como aviões, navios, barcas, barcos, ônibus, trens, metrô ou qualquer meio de transporte conhecido;
Artigo 13 – Impedir ou obstar o acesso de alguém ao serviço em qualquer ramo das Forças Aéreas;
Artigo 14 – Impedir ou obstar, por qualquer meio ou forma, o casamento ou convivência familiar e social;
Artigo 20 – Praticar, induzir ou incitar pelos meios de comunicação social ou por publicação de qualquer natureza a discriminação de raça, cor, etnia;

A LEI É, EM PRIMEIRO LUGAR, PRÓDIGA EM TRÊS VERBOS: IMPEDIR, RECUSAR E NEGAR.

Racismo é, portanto, de acordo com o texto da lei, proibir alguém de fazer alguma coisa por conta de sua cor de pele.



De Nairobi
Finalmente no dia 9 de janeiro de 2003, foi implementada a Lei 10.639, que tornou "obrigatório o ensino sobre história e cultura afro-brasileira" nas grades curriculares dos ciclos fundamental e médio ministrados nas redes oficiais e públicas do Brasil.

Presidência da República
Casa Civil
Subchefia para Assuntos Jurídicos

LEI No 10.639, DE 9 DE JANEIRO DE 2003.

Altera a Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, para incluir no currículo oficial da Rede de Ensino a obrigatoriedade da temática "História e Cultura Afro-Brasileira", e dá outras providências.
O PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei:
Art. 1o A Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996, passa a vigorar acrescida dos seguintes arts. 26-A, 79-A e 79-B:
"Art. 26-A. Nos estabelecimentos de ensino fundamental e médio, oficiais e particulares, torna-se obrigatório o ensino sobre História e Cultura Afro-Brasileira.
§ 1o O conteúdo programático a que se refere o caput deste artigo incluirá o estudo da História da África e dos Africanos, a luta dos negros no Brasil, a cultura negra brasileira e o negro na formação da sociedade nacional, resgatando a contribuição do povo negro nas áreas social, econômica e política pertinentes à História do Brasil.
§ 2o Os conteúdos referentes à História e Cultura Afro-Brasileira serão ministrados no âmbito de todo o currículo escolar, em especial nas áreas de Educação Artística e de Literatura e História Brasileiras.
§ 3o (VETADO)"
"Art. 79-A. (VETADO)"
"Art. 79-B. O calendário escolar incluirá o dia 20 de novembro como ‘Dia Nacional da Consciência Negra’."
Art. 2o Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.
Brasília, 9 de janeiro de 2003; 182o da Independência e 115o da República.
LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA
Cristovam Ricardo Cavalcanti Buarque

Em Língua Portuguesa, será explorado o vocabulário, por via da oralidade e/ou escrita e cantos, letra de música, letra de samba enredo, culinária e brincadeiras. Leitura de livro que abordam o assunto, lendas e filmes. Também será elencado leis e parlamentares que buscam através de suas legislaturas enviar e aprovar projetos buscando a melhoria na vida do negro brasileiro. Sugestões de filmes que abordem este assunto e curiosidades.
Essa influência africana associada à indígena, e tantos outros empréstimos lingüísticos, abrasileirou o Português Europeu.


HISTÓRIA DA LÍNGUA NO BRASIL

No início da colonização portuguesa no Brasil, o tupinambá, uma língua do litoral brasileiro da família tupi-guarani foi usado como língua geral na colônia, ao lado do português, principalmente graças aos padres jesuítas que haviam estudado e difundido a língua.
Em 1757, a utilização do tupi foi proibida por uma Provisão Real. Tal medida foi possível porque, a essa altura, o tupi já estava sendo suplantado pelo português. Com a expulsão dos jesuítas em 1759, o português fixou-se definitivamente como o idioma do Brasil. Das línguas indígenas, o português herdou palavras ligadas à flora e à fauna (abacaxi, mandioca, caju, tatu, piranha), bem como nomes próprios e geográficos.


Com o fluxo de escravos trazidos da África, a língua falada na colônia recebeu novas contribuições. A influência africana no português do Brasil, que em alguns casos chegou também à Europa, veio principalmente do iorubá, falado pelos negros vindos da Nigéria (vocabulário ligado à religião e à cozinha afro brasileiras), e do quimbundo angolano (palavras como caçula, moleque e samba).
Um novo afastamento entre o português brasileiro e o europeu aconteceu quando a língua falada no Brasil colonial não acompanhou as mudanças ocorridas no falar português (principalmente por influência francesa) durante o século XVIII, mantendo-se fiel, basicamente, à maneira de pronunciar da época da descoberta. Uma reaproximação ocorreu entre 1808 e 1821, quando a família real portuguesa, em razão da invasão do país pelas tropas de Napoleão Bonaparte, transferiu-se para o Brasil com toda sua corte, ocasionando um re-aportuguesamento intenso da língua falada nas grandes cidades.
Após a independência (1822), o português falado no Brasil sofreu influências de imigrantes europeus que se instalaram no centro e sul do país. Isso explica certas modalidades de pronúncia e algumas mudanças superficiais de léxico que existem entre as regiões do Brasil, que variam de acordo com o fluxo migratório que cada uma recebeu.

No século XX, à distância entre as variantes portuguesa e brasileira do português aumentou em razão dos avanços tecnológicos do período: não existindo um procedimento unificado para a incorporação de novos termos à língua e certas palavras passaram a ter formas diferentes nos dois países (comboio e trem, autocarro e ônibus, pedágio e portagem). Além disso, o individualismo e nacionalismo que caracterizam o movimento romântico do início do século intensificaram o projeto de criação de uma literatura nacional expressa na variedade brasileira da língua portuguesa, argumento retomado pelos modernistas que defendiam, em 1922, a necessidade de romper com os modelos tradicionais portugueses e privilegiar as peculiaridades do falar brasileiro. A abertura conquistada pelos modernistas consagrou literariamente a norma brasileira.

PARLAMENTARES NEGROS FAZEM HISTÓRIA NA LUTA CONTRA O RACISMO

Adalberto Camargo, de São Paulo, e Alceu Collares, do Rio Grande do Sul;
Abadias do Nascimento e Carlos Alberto Caó, este último autor da primeira lei do Brasil que definiu os crimes resultantes de preconceitos de raça ou de cor (Lei Caó), sancionada no dia 5/1/1989 sob o número 7.716.

Deputado Paulo Paim (PT) é citado como um dos líderes sindicais negros na Câmara por ter trabalhado no sentido de melhorar o emprego e as condições de vida.
Abdias do Nascimento (deputado federal e senador) foi militante negro por mais de 50 anos.

Em 1994, Benedita da Silva e Marina Silva, foram eleitas para o Senado. Como suplente da senadora Benedita da Silva, assumiu o senador Geraldo Cândido, negro e defensor da causa.

Eurípides Camargo (PT-DF) que, apesar de não ter a causa negra como bandeira principal da sua atividade, defendeu os negros em várias ocasiões.

O senador Nelson Carneiro, que foi presidente do Senado e parlamentar por cerca de três décadas, tinha ascendência africana, mas nunca apresentou a causa racial como a bandeira de suas campanhas. Atualmente, porém, a Frente Parlamentar em Defesa da Igualdade Racial, coordenada pelo deputado Luiz Alberto (PT-BA), lista 108 parlamentares de quase todos os partidos, entre brancos, mestiços e negros.


Gilberto Gill- Ex Ministro da Cultura no governo Lula


AFRO-BRASILEIROS NO RIO GRANDE DO SUL

LEI PRESERVA HERANÇA DOS NEGROS NO RIO GRANDE DO SUL

Dados do Observatório Afro-brasileiro, do ano de 2000, registram a presença de quase 1,3 milhão de negros e negras no estado, sendo que a maior cidade negra em tamanho da população era Porto Alegre, abrigando mais de 225 mil afro-brasileiros, seguida de Pelotas, Caxias do Sul e Santa Cruz do Sul. A cidade de Lajeado do Bugre, na região das Missões, era o município gaúcho com maior percentual de afro-brasileiros, com 73% da sua população negra. Carrion – que foi autor de uma lei semelhante em nível municipal quando vereador de Porto Alegre – destaca inúmeras obras que se tornaram pontos turísticos como a Ponte de Pedra, construída pelos escravos junto ao atual Largo dos Açorianos; a Igreja das Dores, construída sobre um “pelourinho”, com todas suas lendas e sua cativante escadaria; e a Igreja de Nossa Senhora do Rosário, que foi construída pelos escravos para seus cultos religiosos. Pode-se destacar ainda as primeiras edificações do complexo hospitalar da Santa Casa de Porto Alegre e a Igreja Nosso Senhor Jesus do Bom Fim.

AFRO-DESCNDENTES NO RIO GRANDE DO SUL

O Sul do Brasil, antiga Província de São Pedro, contou com a presença do negro desde o início de sua ocupação pelos portugueses, entre o fim do século XVII e início do XVIII.

A produção de charque foi, certamente, a atividade econômica sulina que mais se apoiou em mão-de-obra escrava. No final do século XVIII, diversas pessoas, vindas da colônia de Sacramento e outras regiões, povoaram o arroio Pelotas que, logo depois, tornou-se o principal pólo charqueador no Sul. A produção de charque exigia um trabalho pesado e prolongado, chegando a jornadas de 16 horas por dia, e exigia que se empregasse uma quantidade expressiva de cativos. Para se ter uma idéia, o número de escravos em cada charqueada variava de 60 a 150.

No que diz respeito à população cativa sulina, levantamento realizado em 1780 indicava que ela representava 28% da população total da capitania. Já em 1814, os cativos de origem africana constituíam 31% da população. Entre os anos de 1874 e 1884, o Rio Grande do Sul era a sexta província com maior número absoluto de escravos.
Esses dados podem ser considerados expressivos no que diz respeito à escravidão no Rio Grande do Sul, embora não se equiparem à concentração massiva de cativos existentes na região Nordeste do país e em Minas Gerais no período colonial. Mas o fato de o Sul ter abrigado menos escravos em relação àquelas regiões não quer dizer que a escravidão em terras gaúchas tenha sido pouco relevante, nem justifica o esquecimento da história das diversas comunidades quilombolas ali formadas.

OS QUILOMBOS
Os quilombos do Sul do país eram, em geral, constituídos por pequenos agrupamentos de escravos fugidos. Essa característica explica-se em parte pelo fato de os cativos do Sul terem fácil acesso a países vizinhos para onde fugiam. Além disso, a falta de acidentes geográficos na região dos pampas que pudessem esconder os fugitivos dificultava a formação de grandes aglomerados humanos. Em geral, tais quilombos possuíam entre 10 e 30 integrantes, composto em sua maioria por homens.

Outra singularidade dos quilombos sulinos diz respeito à sua localização. Existia uma grande quantidade de quilombos vivendo muito próximos aos centros urbanos, especialmente nas regiões de Porto Alegre, Rio Pardo e Rio Grande. Eram constituídos por cativos urbanos, acostumados ou conquistados pela vida citadina. A vida rural lhes seria desconhecida ou pouco atraente. Esse foi o caso dos quilombos de Negro Lucas e de Manoel Padeiro.

As principais aglomerações urbanas da Colônia e do Império possuíam grandes concentrações de trabalhadores escravizados. Escravos em fuga faziam-se passar por libertos ou negros livres ou permaneciam nas imediações das aglomerações, onde fundavam pequenos quilombos.

O Rio Grande do Sul também abrigou quilombos rurais cujos integrantes, em geral, garantiam o seu sustento por meio da caça, da coleta, da pesca e da pequena agricultura. Em alguns casos, eles também obtinham outros produtos como sal, pólvora, fumo e chumbo, por meio da troca ou da rapinagem. Foi o caso do quilombo de Preta Vitória, em Rio Pardo. Esses quilombos eram geralmente mais estáveis do que as formações urbanas, pois tinham mais facilidade de passar despercebidos pelos capitães-do-mato, responsáveis por destruir tais agrupamentos.

Os quilombolas não viviam isolados de outros setores da sociedade da época. Alguns deles chegavam a prestar serviços clandestinos a senhores, que por sua vez não os denunciavam. Era comum que estes últimos acobertassem os negros fugidos quando necessário.

Nem todos os núcleos de resistência foram constituídos por escravos fugitivos. Em certos casos, o acesso à terra e à liberdade foi possível graças à doação de seus antigos senhores. Em outros, ex-escravos conquistaram suas terras por meio da compra em regiões pouco valorizadas. Também há casos de negros libertos que viviam coletivamente junto de outros escravos fugidos em determinado território.

A comunidade quilombola de São Miguel, existente até hoje, se constituiu graças à compra de terras por seus ancestrais em finais do século XIX. Já as terras da atual comunidade de Casca foram obtidas por meio de um testamento deixado pelos então senhores.

Comum a todos esses quilombos era a disposição para resistir à dominação da sociedade escravista. Escondidos no mato ou próximos da cidade, munidos de armas de fogo ou trabalhando para antigos senhores, várias foram as formas encontradas para se conquistar a liberdade.

NEGRINHO DO PASTOREIO: A LENDA GAÚCHA

Esta é a mais linda e popular lenda fraternal gaúcha. Ela representa um grito de repúdio aos maus-tratos com o ser humano. Reflete a consciência de um povo (gaúchos) que deliberadamente condenou a agressão e a brutalidade da escravidão. É uma lenda sem dono, sem cara, sem raça é a lenda de todos nós, que lutamos dia-a-dia nesta terra de excluídos.
O Negrinho do Pastoreio é a formatação de um arquétipo do inconsciente coletivo e podemos vê-lo como uma manifestação de uma consciência coletiva repleta de ideologias que são transmitidas pela cultura e linguagem que nós utilizamos quando estamos sujeitos a algo. A escravidão ainda persiste, embora incógnita e camuflada, mostra sua terrível face nas sub-habitações circunvizinhas às metrópoles. Esta questão social, tem a cada dia afastado a classe média de uma consciência do real problema e que por medo ou omissão, mantêm-se afastada e enclausurada em suas fortalezas gradeadas.



NEGRINHO DO PASTOREIO
Era o tempo da escravidão e um menino negrinho, pretinho que nem carvão, humilde e raquítico era escravo de um fazendeiro muito rico, mas avarento. Se alguém necessitasse de um favor, não se podia contar com este homem. Não dava um níquel a ninguém e seu coração era a morada de uma pedra, não nutria qualquer sentimento por ninguém, a não ser por seu filho, um menino tão malvado quanto seu pai, pois afinal, a fruta nunca cai muito longe da árvore. Este dois eram extremamente perversos e maltratavam o menino-escravo desde do raiar do dia, sem lhe dar trégua. Este jovenzinho não tinha nome, porque ninguém se deu sequer o trabalho de pensar algum para ele, assim respondia pelo apelido de "negrinho".
Seus afazeres não eram condizentes com seu porte físico, não parava o dia inteiro. O Sol nascia e lá já estava ele ocupado com seus afazeres e mesmo ao se por, ainda se encontrava o negrinho trabalhando. Sua principal ocupação era pastorear. Depois de encerrar seu laborioso dia, juntava os trapos que lhe serviam de cama e recebia um mísero prato de comida, que não eram suficientes para repor as energias perdidas pelo sacrificado trabalho.




Desde aquele dia, muitos foram os relatos de quem viu o Negrinho passeando pelos pampas, montado em seu baio e sumindo em seguida por entre nuvens douradas. Ele anda sempre a procura das coisas perdidas e quem necessitar de seu ajutório, é só acender uma vela entre as ramas de uma árvore e dizer:

Foi aqui que eu perdi
Mas Negrinho vai me ajudar
Se ele não achar
Ninguém mais conseguirá!

Música Negrinho do Pastoreio l. c. Barbosa Lessa

"Negrinho do Pastoreio
Acendo essa vela pra ti
E peço que me devolvas
A querência que eu perdi

Negrinho do Pastoreio
Traz a mim o meu rincão
Eu te acendo essa velinha
Nela está o meu coração

Quero rever o meu pago
Coloreado de pitanga
Quero ver a gauchinha
A brincar na água da sanga

E a trotear pelas coxilhas
Respirando a liberdade
Que eu perdi naquele dia
Que me embretei na cidade".

ORAÇÃO AO NEGRINHO DO PASTOREIO:

Eu quero achar-me, Negrinho!
(Diz que você acha tudo)
Ando tão longe, perdido...
Eu quero achar-me, Negrinho:
A luz da vela me mostre
O caminho do meu amor

Negrinho, você que achou
Pela mão da sua madrinha
Os trinta tordilhos negros
E varou a noite toda
De vela acesa na mão
(Piava a coruja rouca
No arrepio da escuridão
Manhãzinha, a estrela d'alva
Na voz do galo cantava
Mas quando a vela pingava
Cada pingo era um clarão)
Negrinho, você que achou
Me leve à estrada batida
Que vai dar no coração

(Ah! os caminhos da vida
Ninguém sabe onde é que estão!)

AFRO-DESCENDENTES EM PASSO FUNDO

Os escritores da história de Passo Fundo pouca ou nenhuma atenção dispensaram à vida cotidiana dos escravos, dos libertos e dos seus descendentes. Pouco se sabe do relacionamento senhores X escravos, nada se diz da luta dos dominados. A libertação dos cativos é atribuída à piedade e ao liberalismo do povo de Passo Fundo.
Um dos mitos da História rio-grandense é o pequeno número de escravos e a benevolência com que eram tratados na Província de São Pedro. Episódios como o da Lenda do Negrinho do Pastoreio seriam exceções ou apenas lenda. Censos, testamentos, inventários por morte, Código de Posturas Municipais, registros das Delegacias de Policia e das Cadeias demonstram o contrário, e Passo Fundo não fugiria à regra.
Em relação ao número de negros no município, Antonino Xavier, baseado em recenseamento, informa que em 1858 havia 1.692 escravos e 127 libertos num total de 8.208 habitantes, na época da emancipação os negros representavam 20% da população total passo-fundense.
O engajamento forçado de escravos nos efetivos que marchavam para a guerra podem ter concorrido para uma redução. Era pratica comum os senhores de escravos fazerem-se substituir a si e a seus familiares por negros cativos. Esses negros raramente voltavam.
Muitos negros fugiram para o Planalto catarinense e miscigenaram-se com indígenas dando origem a comunidades cafuzas. Embora não há noticias de fugas ou revoltas de escravos.
Ele refere-se ao grupo de três ou quatro ranchos do Quilombo, tão alegre quanto barulhento, habitado por negros, que ficava na atual rua Marcelino Ramos, Moron e Independência estendendo-se até onde hoje está o quartel do Corpo de Bombeiros.
A capela do Pinheiro Torto, cuja construção foi iniciativa de dois pretos, Generoso Isaias, pai e filho. Aliás, os dois únicos nomes que figuraram na obra de Antonino Xavier e único negro citado como participante da Revolução Farroupilha.
Os Isaísas são uma das poucas famílias e uma das mais antigas, para eles essa não é uma terra de passagem.
ABOLICIONISMO EM PASSO FUNDO
A Sociedade Emancipadora, fundada em 13 de agosto de 1871, congregava meia centena de pessoas, quase todos moradores na Vila. Consta: Sociedade libertadora das crianças de sexo feminino. Era na verdade, uma entidade tímida, buscava apiedar os senhores de escravos para que libertassem as meninas, de sua propriedade, nascidas escravas. Quando o proprietário não se deixava comover, propunha-lhe a venda da escrava. Só doze anos depois o tema abolicionismo torna a figurar entre os eventos municipais.

Na sessão de 3/11/1884, iniciativa do vereador líder do Partido Liberal Major Prestes Guimarães, a Câmara iniciou uma campanha pela libertação dos escravos e 25 dias depois a Câmara proclamou a liberdade de 300 escravos.
O texto do telegrama enviado, naquele dia, pela Câmara Municipal de Passo Fundo à Assembléia Provincial: “Vai desaparecer a mancha negra.”

A NOTÍCIA DA PROCLAMAÇÃO DA REPÚBLICA EM PASSO FUNDO
A notícia da Proclamação da República chegou à vila de Passo Fundo na tarde do dia 16 de novembro de 1889 via telégrafo.
Ávila, Ney Eduardo Possapp d” Passo Fundo – Terra de Passagem/Ney Eduardo Possapp d”Ávila. Passo Fundo, Aldeia Sul, 1996.


Libertos em Passo Fundo

Libertos em todo território Nacional, restou aos negros perambularem pelas estradas, inchar os centros urbanos como sobras humanas ou continuar de fato como escravo por opção. Embora houvesse muita terra devoluta, não houve parcelamento do solo.
O espírito democrático que o tempo depositou na alma da nossa gente que numa das poucas lendas criadas pela alma gaúcha, a do Negrinho do Pastoreio, condena a memória de um senhor perverso. Não tinha o gaúcho a necessidade de tiranizar o negro.
A participação do negro na pintura, escultura, na arquitetura, na arte, ciência e no futebol, em Passo Fundo foi de grande importância e contribui para o desenvolvimento de Passo Fundo. Os acabamentos finais dos prédios públicos, os apliques feitos de cimento nos prédios antigos da cidade, são de autoria de artistas negros de Passo Fundo.
Dos quatro grupos sociais que existiam em Passo Fundo: o fazendeiro, o caboclo, o índio e o negro que era atingido pela legislação, proibindo-o de entrar nas terras demarcadas para as colônias existentes e futuras, restou ao negro vagar pelos campos e pelos povoados, quando libertos da escravidão legal.
Nascimento, Velci - Conheça Passo Fundo, Tchê!


Chafariz antes da reforma e pós reforma





Praça da Mãe na Avenida Brasil
ONDE OS POVOS SE COMUNICAM NA LÍNGUA PORTUGUESA.



Países na cor verde que se comunicam na língua portuguesa no mundo.
É marcante a presença de vários vocábulos que permeiam, norteiam e recheiam o nosso vocabulário. Permitindo-nos uma comunicação: despojada, tranqüila e agraciada tal qual a presença “marota” e cheia de “ molecagem” de nossos Afro-descendente.
Influência no campo do léxico, os africanos deixaram sua marca incorporando à língua portuguesa palavras como cachimbo, moleque, banana, quitanda, fubá, minhoca, batuque e outras.
DISTRIBUIÇÃO GEOGRÁFICA DO IDIOMA

Legenda:
Laranja português; verde-espanhol; azul-francês; amarelo-italiano; vermelho-romeno
(cores escuras indicam língua oficial; cores claras, língua de uso comum).

Conceitos e práticas religiosas, ainda hoje utilizadas na Umbanda, Quimbanda e Candomblé, Oxalá, Ogum, Iemanjá, Xangô, pomba-gira, macumba, axé, mandinga, canjerê, gongá.
Comidas e bebidas - quitute, vatapá, acarajé, caruru, mungunzá, quibebe, farofa, quindim, canjica e cachaça;
Topônimos, isto é, nomes de lugares e locais - Caxambu, Carangola, Bangu, Guandu, Muzambinho, cacimba, quilombo, mocambo, murundu, senzala;
Roupas, danças e instrumentos musicais - Tanga, miçanga, caxambu, jongo, lundu, maxixe, samba, marimba, macumba, berimbau;
Animais, plantas e frutos - camundongo, caxinguelê, mangangá, marimbondo, mutamba, dendê, jiló, quiabo;
Deformidades, doenças, partes do corpo - cacunda, capenga, calombo, caxumba, banguela, calundu, bunda,
samba, marimba, macumba, berimbau;

INFLUÊNCIA NOS GÊNEROS MUSICAIS

Música
Gêneros musicais tais como: o jazz, blues, gospel, reggae, hip-hop e o funk, estes que percorreram o mundo e influenciaram muitos músicos e cantores de outros continentes fazendo com que a música fosse instrumento de fusão racial.
Em cada estilo houve seus expoentes com fama internacional: quem não se lembra de Louis Armstrong?
Ouvir a música de Louis Armstrong Que mundo maravilhoso What a Wonderful World e trabalhar com a letra;

What a Wonderful World (Que mundo maravilhoso)
Eu vejo árvores verdes, rosas vermelhas também,
Eu vejo-as florescer para eu e você,
E eu penso comigo mesmo:
Que mundo maravilhoso !
Eu vejo céus azuis e nuvens brancas
O resplandecente dia abençoado, a escura noite sagrada,
E eu penso comigo mesmo:
Que mundo maravilhoso !
As cores do arco-íris, tão lindas no céu,
Estão também nos rostos das pessoas passando ao lado.
Eu vejo amigos apertando as mãos, dizendo "Como vai você?”
Eles realmente estão dizendo "Eu amo você?”

Eu ouço bebês chorando, eu observo-os crescerem.
Eles aprenderão muito mais do que eu jamais saberei.
E eu penso comigo mesmo:
Que mundo maravilhoso!
Sim, eu penso comigo mesmo:
Que mundo maravilhoso!


No Brasil, atualmente essa influência é forte no gospel, hip-hop e no funk, sendo propagada em diversas camadas sociais.

Outros nomes de origem negra a se destacar na música popular brasileira são os de Dorival Caymmi, Luís Gonzaga. Ataulfo Alves, Clementina de Jesus, Agenor de Oliveira (Cartola) Alfredo da Rocha Viana Júnior, conhecido como Pixinguinha.
SAMBA E HISTÓRIA DO SAMBA


O samba surgiu da mistura de estilos musicais de origem africana e brasileira. O samba é tocado com instrumentos de percussão (tambores, surdos timbau) e acompanhados por violão e cavaquinho. Geralmente, as letras de sambas contam a vida e o cotidiano de quem mora nas cidades, com destaque para as populações pobres. O termo samba é de origem africana e tem seu significado ligado às danças típicas tribais do continente.
As raízes do samba foram fincadas em solo brasileiro na época do Brasil Colonial, com a chegada da mão-de-obra escrava em nosso país.
O SABER E O SUBLIME
Principais tipos de samba:
Samba-enredo
Samba de partido alto
Pagode
Samba-canção
Samba carnavalesco
Samba-exaltação
Samba de breque
Samba de gafieira
Sambalanço

LETRA DE UM SAMBA QUE FALA SOBRE A ESCRAVIDÃO

Com pouco mais de trinta versos, a letra fala de todo o processo de escravidão no Brasil, desde a chegada dos escravos até a abolição. Um resumo genial do que foi o período da escravatura brasileira. Uma pequenina aula de história. Pra quem sabe pouco ou nada, o samba funciona como trampolim, impulsionando um desejo de mergulho mais fundo no estudo desse período da história brasileira.

“Quando o navio negreiro
Transportava os negros africanos
Para o rincão brasileiro
Iludidos com quinquilharias
Os negros não sabiam
Ser apenas sedução”

O samba começa assim, falando do método ímpio dos traficantes no transporte dos negros para o Brasil. Alguns versos depois, cita o começo da organização dos negros em busca da liberdade:

“Formavam irmandades
Em grande união
Daí nasceram os festejos
Que alimentavam os desejos de libertação”

Identifica-se o começo dos movimentos de luta, como a formação dos quilombos. Por exemplo:

“E de repente uma lei surgiu
Que os filhos dos escravos
Não seriam mais escravos do Brasil
Mais tarde raiou a liberdade
Daqueles que completassem
Sessenta anos de idade”

Nesses versos, dois momentos importantes no caminho da abolição. Primeiro cita a lei do ventre livre, onde os filhos de escravos nascidos a partir da criação da lei não seriam mais escravos. Depois, a lei sexagenária, que declarava livre o escravo que tinha mais de 65 anos.

“O sublime pergaminho
Libertação geral
A princesa chorou ao receber
A rosa de ouro papal
Uma chuva de flores cobriu o salão
E um negro jornalista
De joelhos beijou a sua mão”

Essa é uma menção ao documento manuscrito que determinava a abolição da escravatura e da princesa Isabel que assinou a Lei Áurea. O “negro jornalista” citado é José do Patrocínio uma das grandes referências do movimento abolicionista. E finaliza:

“Uma voz na varanda do Paço ecoou
Meu Deus, meu Deus
Está extinta a escravidão”.

Não sei se é porque sou negro e gosto de samba, mas é difícil conter as lágrimas ouvindo a gravação original e lendo a letra ao mesmo tempo. Imaginando o martírio, a luta e por fim a conquista de um direito óbvio que por anos foi negado. A emoção também é muito, em função do que se observa da situação do negro hoje, se a abolição chegou há dois séculos atrás, a maioria dos negros ainda vivem sob o ranço de senzala e quem tem o poder, ainda se impõe tal qual senhores de engenho, usando outros tipos de chicote. POR THALES RAMOS

Ao falar da cultura e dos rituais africanos, começamos a falar do seu mais divergente elemento: os tambores, e falar deles é uma tarefa difícil. Os tambores não são apenas tal como os vemos, têm em si conotações naturais e sobre naturais. Estão ligados aos rituais que se relacionam às danças, à música e à literatura.

Oralidade Africana



A escravidão não congelou a alma, nem paralisarou o pensamento dos Mandinga, Yoruba, Bantu, Fanti, Asanti, Ewê-Fon ou Akan. É a hora de esquecer o esquecimento. A memória existe e há memórias que surgem em contos e relatos, em mitos e crenças, em toques e silêncios de tambores. Também no gesto, na dança e na ética do viver ou do morrer.
Os escravos africanos trazidos durante os quase quatro séculos de regime escravocrata eram originários das regiões do Sudão ocidental, da África equatorial e de Angola. Suas origens étnicas puderam ser reconstruídas através das pesquisas feitas nas últimas cinco décadas. Ao serem estas culturas um fator que define a identidade de uma boa parte das Américas, os estudos feitos até hoje sobre as etnias africanas, embora numerosos, ainda são insuficientes. A pesquisa sistemática das culturas que deram origem aos grupos afro-caribenhos não existe em muitos de nossos países. A abordagem da africania ocorre a partir da demografia, que utiliza dados, às vezes falsos, da demografia escravagista para a reconstrução da história.

A oralidade no esquema africano

Nenhum narrador transmite palavra por palavra o texto recebido através da tradição oral.

Os escravos nas Américas impuseram seus ritmos e instrumentos, só que alguns destes escravos já eram islâmicos. Fato que confunde os estudiosos ao se aprofundarem na cultura musical africana.
A CAPOEIRA
Na África, mais precisamente na Angola, os negros lutavam com cabeçadas e pontapés nas chamadas "luta das zebras", disputando as mulheres das suas tribos com a finalidade de torná-las suas esposas. Na ausência de armas, os negros buscaram nas danças guerreiras sua forma de defesa. Da necessidade de preservação da vida, surgiu a capoeira.

«Capoeira é luta, jogo e dança.
Brincadeira de movimentos perigosos, executados com graça, malícia e muitos rituais.»
A Capoeira é uma arte marcial secular, que conjuga movimentos e golpes de ataque e defesa que são acompanhados por um ritmo constante de instrumentos.
É uma luta de movimentos combinando objetividade e precisão no ataque com defesas rápidas. Possui uma linguagem onde cada gesto significa e representa idéias, sentimentos e emoções. Capoeira é música, poesia, festa, brincadeira, diversão e uma forma de luta.

A dupla natureza, de luta e de brincadeira, dá a vida ao jogo da capoeira.
É repleto de ataques e de defesas constantes, rápidos e inesperados, onde o corpo atinge um nível impressionante de elasticidade, destreza e habilidade.

O capoeirista consegue conjugar o "floreio" com um jogo perigoso, onde a continuidade e a harmonia nunca se perdem e onde o Berimbau comanda a roda, acompanhado por um conjunto de instrumentos que dão vida à capoeira.
É hoje conhecida em todo o mundo como a «arte marcial do Brasil». Dança, luta, e música? Onde começa uma e termina a outra na capoeira? Ninguém sabe responder.
Berimbaus, esquivas de corpo, pandeiros, movimentos circulares com as pernas, palmas e a «ginga» constante que aproveita a agilidade do corpo para improvisar uma dança ritmada, mas bastante perigosa.

SÃO ESTES OS PRINCIPAIS ELEMENTOS QUE A CARACTERIZAM.





Martelo rodado...tesoura e parada...



A HISTÓRIA DA CAPOEIRA

Teriam os escravos levado da África a capoeira ou teriam criado no Brasil?
Está é uma dúvida que até hoje divide muitos folcloristas, etnógrafos e estudiosos no assunto.
Em 1888 foi abolida a escravatura e com isso muitos escravos foram lançados nas cidades sem emprego e a capoeira foi um dos meios utilizados para a sobrevivência. Alguns ex-escravos passaram a ganhar a vida fazendo pequenas apresentações em praça pública, porém muitos deles utilizaram a capoeira para roubar e saquear. Os marginais brancos também aprenderam a nova luta com o convívio mais direto com os negros e introduziram na sua prática as armas brancas. Formaram-se verdadeiros bandos de marginais aterrorizando a população. Já em 1890 a capoeira foi colocada fora da lei pelo Código Penal da República:

Art. 402. Fazer nas ruas e praças públicas, exercícios de agilidade e destreza corporal, conhecidos pela denominação capoeiragem, andar em carreiras, com armas ou instrumentos capazes de produzir uma lesão corporal, promovendo tumulto ou desordens, ameaçando pessoa certa ou incerta, ou incutindo temor de algum mal: Pena: De prisão celular de dois meses a seis meses.

As punições aplicadas eram a reclusão na ilha Fernando de Noronha e castigos corporais, tais como chibatadas. Pessoas como o regente Feijó, Sampaio Ferraz e o major Vidigal foram os responsáveis para manter a ordem, porém tiveram pouco sucesso.

Os seus chefes foram encarcerados ou exterminados. Mas a capoeiragem continuou fazendo o seu trajeto.


NA CULINÁRIA
Na culinária, diversos pratos típicos dos portugueses e dos índios foram modificados pela mão africana, que introduziu o azeite-de-dendê, acarajé, feijoada e cururu, a pimenta-malagueta típicos da cozinha baiana e o quiabo, e criou muitos pratos, como feijoada, a farofa, o quibebe, o vatapá, o mingau , o abará, a pamonha, a canjica, a moqueca de peixe.
A tapioca - feita de fécula da mandioca. Além dos recheios básicos, doces e salgados, há até uma espécie de “X-tudo”, com carne seca e guarnições variadas.


Receita da Moqueca
Ingredientes
3 tomates
1 pimentão vermelho ou amarelo
1 cebola
400g a 500g de camarão Rosa médio
1 vidro de leite de coco
Meia concha (de feijão, pequena) de azeite de dendê
Coentro, alho, sal, azeite de oliva

Preparo
O tomate, o pimentão e a cebola são cortados até ficarem miúdos, para serem fritos e cozidos no azeite de oliva. Quando o molho está cozido, deve-se acrescentar o camarão, já limpo e temperado com alho e sal.
- Os pequenos perdem muita água, o que pode deixar o caldo aguado, alerta Rachel.
Acrescente o leite de coco e meia concha de dendê. O prato deve permanecer ao fogo entre cinco e dez minutos. Se destampado, o molho fica espesso. Use cerca de cinco ramos de coentro, no final do cozimento.
Sirva fumegante, ao lado de arroz e pirão. Para fazer o pirão, basta juntar, numa panela à parte, um pouco do caldo da moqueca, água e farinha de mandioca branca.

QUEIJADA DE COCO
Gastronomia Caboverdiana
Ingredientes:
500 gr de açúcar
250 gr de coco ralado
9 ovos
Modo de fazer: Misture o açúcar e os ovos até virar uma mistura homogênea.
Acrescente o coco ralado, coloque em forminhas untadas com manteiga.
Coloque no forno para assar. Deixe esfriar e retire da forma.

NAS BRINCADEIRAS INFANTIS

A ama negra dava de mamar ao menino branco, o embalava no berço e ensinava-lhe as primeiras palavras e as cantigas de ninar.
Os filhos das senhoras dos engenhos relacionavam-se com os filhos das negras escravas com os quais brincavam de:
Montar em cavalo e em carneiros
Nadar nos rios e açudes
Matar passarinhos
Empinar papagaios
Jogar pião
Corridas de cavalo de paus
Papagaio de papel
Coleção de pedrinhas coloridas, insetos, caixinhas
Banhos em represas, açudes e rios,
Bodoque em lagartos e aves, trepar em árvores.

As crianças chamavam seus pais de Sr. Pai e Sra. Mãe.
As meninas brincavam de faz de conta de mucama. No interior da Casa Grande elas brincavam de "a Senhora mandando nas criadas e as bonecas eram as filhas";
(fonte: José Lins do Rego)


ABECEDÁRIO DE ORIGEM AFRICANA
abará: bolinho de feijão.
acará: peixe de esqueleto ósseo.
acarajé: bolinho de feijão frito.
agogô: instrumento musical constituído por dupla campânula de ferro, produzindo dois sons.
angu: massa de farinha de trigo ou de mandioca ou arroz.
Bbangüê: padiola de cipós trançados na qual se leva o bagaço da cana.
bangulê: dança de negros ao som da puíta, palma e sapateados.
banzar: meditar, matutar.
banzo: nostalgia mortal dos negros da África.
banto: nome do grupo de idiomas africanos em que a flexão se faz por prefixos.
batuque: dança com sapateados e palmas.
banguela: desdentado.
berimbau: instrumento de percussão com o qual se acompanha a capoeira.
búzio: concha.
Ccachaça: aguardente.
cachimbo: aparelho para fumar.
cacimba: cova que recolhe água de terrenos pantanosos.
Caculé: cidade da Bahia.
cafife: diz-se de pessoa que dá azar.
cafuca: centro; esconderijo.
cafua: cova.
cafuche: irmão do Zumbi.
cafuchi: serra.
cafundó: lugar afastado, de acesso difícil.
cafuné: carinho.
cafungá: pastor de gado.
calombo: quisto, doença.
calumbá: planta.
calundu: mau humor.
camundongo: rato.
Candomblé: religião dos negros iorubás.
candonga: intriga, mexerico.
canjerê: feitiço, mandinga.
canjica: papa de milho verde ralado.
carimbo: instrumento de borracha.
catimbau: prática de feitiçaria .
catunda: sertão.
Cassangue: grupo de negros da África.
caxambu: grande tambor usado na dança harmônica.
caxumba: doença da glândula falias.
chuchu: fruto comestível.
cubata: choça de pretos; senzala.
cumba: forte, valente.
Cumbe: povoação em Angola.
ndê: fruto do dendezeiro.
dengo: manha, birra.
diamba: maconha.
efó: espécie de guisado de camarões e ervas, temperado com azeite de dendê e pimenta.
Exu: deus africano de potências contrárias ao homem.
fubá: farinha de milho.
guandu: o mesmo que andu (fruto do anduzeiro)
inhame: planta medicinal e alimentícia com raiz parecida com o cará.
Iemanjá: deusa africana, a mãe d’ água dos iorubanos.
iorubano: habitante ou natural de Ioruba (África).
jeribata: alcóol; aguardente.
jeguedê: dança negra.
jiló: fruto verde de gosto amargo.
jongo: o mesmo que samba.
libambo: bêbado.
lundu: primitivamente dança africana.
macumba: religião afro-brasileira.
máculo: nódoa, mancha.
malungo: título que escravos davam aos que tinham vindo no mesmo navio; irmão de criação.
maracatu: cortejo que segue uma mulher que num bastão leva uma boneca enfeitada.
marimba: peixe do mar.




marimbondo: o mesmo que vespa.
maxixe: fruto verde.
miçanga: conchas de vidro, variadas e miúdas.
milonga: certa música ao som de violão.
mandinga: feitiçaria, bruxaria.
molambo: pedaço de pano molhado.
mocambo: habitação muito pobre.
moleque: negrinho, menino de pouca idade.
muamba: contrabando.
mucama: escrava negra especial.
mulunga: árvore.
munguzá: o mesmo que canjica.
murundu1: montanha ou monte; montículo; o mesmo que montão.
mutamba: árvore.
muxiba: carne magra.
muxinga: açoite; bordoada.
muxongo: beijo; carícia.
maassagana: confluência, junção de rios em Angola.
Ogum ou Ogundelê: Deus das lutas e das guerras.
Orixá: culto, ídolo africano.
puita: corpo pesado usado nas embarcações de pesca em vez fateixa.
quenga: vasilha feita da metade do coco.
quiabo: fruto de forma piramidal, verde e peludo.
quibebe: papa de abóbora ou de banana.
quilombo: valhacouto de escravos fugidos.
quibungo: invocado nas cantigas de ninar, o mesmo que cuca, festa dançante dos negros.
queimana: iguaria nordestina feita de gergelim .
quimbebé: bebida de milho fermentado.
quimbembe: casa rústica, rancho de palha.




Senegal
quimgombô: quiabo.
quitute: comida fina, iguaria delicada.
quizília: antipatia ou aborrecimento.
samba: dança cantada de origem africana de compasso senzala
soba: chefe de trigo africana.
tanga: pano que cobre desde o ventre até as coxas.
tutu: iguaria de carne de porco salgada, toicinho, feijão e farinha de mandioca.
urucungo: instrumento musical.
vatapá: comida.
xendengue: magro, franzino.
zambi ou zambeta: cambaio, torto das pernas.
zumbi: fantasmas.

DIZERES RACISTAS QUE DEGRADAM O NEGRO:
Hi...pretiou! A coisa tá preta! Deu a nega! Vamos jogar a nega?
“Nego, é nego, se não apronta na entrada apronta na saída.”

“Mande-os todos de volta para a África”




O negro torna-se igual na lei, mas permanecem as desigualdades raciais e sociais


Na Argélia


Filme: Diamante de Sangue
Gênero:Aventura-Drama

Sinopse: Tendo como pano de fundo o caos e a guerra civil que dominou Serra Leoa na década de 1990, Diamante de Sangue conta a história de um ex-mercenário do Zimbábue, e um pescador da etnia Mende. Ambos são africanos, mas suas histórias e circunstâncias de vida são totalmente diferentes até que o destino os reúne numa busca para recuperar um raro diamante rosa, o tipo de pedra que pode transformar uma vida...ou acabar com ela.



"Se somos resultado da mistura de índios, africanos e portugueses, temos de conhecer melhor o que esses antepassados nos deixaram como herança."
"Abordar conteúdos que trazem para a sala de aula a história da África e do Brasil africano é fazer cumprir nossos grandes objetivos como educadores: levar à reflexão a discriminação racial, valorizar a diversidade étnica, gerar debate, estimular valores e comportamentos de respeito, solidariedade e tolerância", afirma a autora.

Marina de Mello e Souza

Negros e pardos também marcaram a literatura e o pensamento brasileiro. Esse foi o caso de Machado de Assis, considerado por muitos o maior escritos brasileiro de todos os tempos. Igualmente negros ou pardos eram o escritor Lima Barreto, o poeta e João da Cruz e Souza, Além do jurista Rui Barbosa.

Filmes citados:
Maria Esther: danças na África (idem, 1974/José Agrippino de Paula)
Meninos na África (idem, 1974/José Agrippino de Paula)
Céu sobre água (idem, 1978/José Agrippino de Paula)
Passeios no Recanto Silvestre (idem, 2006/dirigido por Miriam Chnaiderman)

Livros citados:
Uivo e outros poemas (Howl and other poems, 1956/Allen Ginsberg)
Paranóia (idem, 1963/Roberto Piva, com fotos de Wesley Duke Lee)
Pan América (idem, 1967/José Agrippino de Paula)
Quizumba (idem, 1981/Roberto Piva)

Sugestão de livros:
Menina Bonita do Laço de Fita, de Ana Maria Machado,
O Pássaro-da-Chuva, de Kersti Chaplet,
Gibi Zumbi dos Palmares para atividades de leitura e escrita.




CONCLUINDO...

Não há como omitir a contribuição do negro africano para a cultura brasileira em seus diversos aspectos, entre eles, na língua, religião, música, arte, alimentação. Esperamos que, nesse momento histórico, de resgate da identidade do homem negro e dos menos favorecidos socialmente, resplandeça, no meio acadêmico, um espírito científico de isenção de atitudes que possam atenuar ou subtrair o mérito do negro na cultura brasileira.




V.Avaliação:
Será considerado satisfatório se tomarem decisões coletivas e comprometidas tornando-se alunos mais ativos e interagidos no meio e no processo de aprendizagem numa vivencia coletiva e harmoniosa, onde cada um vá se formando enquanto sujeito, mudando seus hábitos e de sua aprendizagem numa percepção global re-significando sua visão social, aberto ao real e às suas múltiplas dimensões.
Se construírem textos relacionados à herança negra, participação de discussões do assunto em pauta, exposição de mudanças de comportamento sentidas em si, e no seu grupo de convivência;
Elegerem, coletivamente metas para mudanças de atitudes diante de atitudes racistas no seu dia a dia.


BELEZA AFRICANA


ÁFRICA,
Belo Continente!

Todo seu sangue derramado
grita ao mundo seu direito à Justiça





OS EUROPEUS, ASIÁTICOS e AMERICANOS
roubaram ao longo dos séculos riquezas, vidas humanas;
com as religiões brancas e asiáticas,
arrogantes em suas ações missionárias
em nome de CRISTO e de ALLAH
dizimaram culturas nativas;
deixaram em solos africanos doenças brancas;
MISÉRIA
dividiram em uma mesa as terras do continente,
dizimaram povos nativos ou os dividiram em territórios opostos,
colocaram povos nativos minoria governados por maioria ou vice-versa;
financiaram longas guerras por puro interesse econômico;
enfim destruiram quase tudo de bom que havia na África,
ainda que o processo de destruição não tenha cessado,
este belo continente continua em pé devido
a pureza, a alegria, a força de seu POVO.

ALUNOS: ALISSON BRITO,ÁLLISSON ROZÁRIO, HIGOR CERQUEIRA



A Copa do Mundo 2010 está chegando e a África do Sul corre para aprontar os estádios que receberão a primeira Copa na África. Ao todo, 10 estádios sediarão os jogos da Copa do Mundo, sendo que 5 deles estão sendo construídos, enquanto outros 5 passam por reformas apra atingir os padrões estabelecidos pela FIFA. A África do Sul está investindo mais de 10 bilhões de reais nas obras. Confira a seguir tudo sobre a Copa do Mundo 2010 na África do Sul. Conheça as cidades que sediarão os jogos da Copa, os estádios que estão sendo construídos e reformados além de muita informação sobre a Copa 2010.
Veja as cidades que sediarão os jogos da Copa do Mundo 2010

Nove cidades da África do Sul receberão os jogos da Copa do Mundo 2010. Em sentido horário, começando do topo à esquerda: Johannesburgo na província de Gauteng; Rustenburgo no noroeste; Pretoria em Gauteng; Polokwane em Limpopo; Nelspruit em Mpumalanga; Durban em KwaZulu-Natal; Port Elizabeth em Eastern Cape; Cape Town em Western Cape; e Bloemfontein em Free State.






somos todos africanos
Portalafro
. Fonte: Almanaque Abril 2001
Fontes: Douglas Verrangia, Jorge Euzébio Assumpção, Scientific American, edição especial no11 Etnomatemática, site Mathematicians of the African Diaspora (www.math.buffalo.edu/mad/index.html ) e Para Entender o Negro no Brasil de Hoje, Kabengele Munanga e Nilma Lino Gomes, Ed. Global
Fontes: almanaque abril 2004 e Vilma Reis
Bibliografia:
Passo Fundo presente da Memória de Fernando B. Severo de Miranda e Ironita P. Machado
Passo Fundo – Terra de Passagem de Ney Eduardo Possapp d”Ávila
Nascimento, Velci - Conheça Passo Fundo, Tchê!

1. África - Wikipédia, a enciclopédia livre
2. www.brasilescola.com/geografia/africa.htm
3. www.africamagazine.centroculturalafricano.com.br
4. educacao.uol.com.br/geografia/africa-mapa.jhtm
5. www.guiageografico.com/africa-mapa-continente.htm
7. br.weather.com/.../regioesdomundo/intlafrica/index_large_animated.html 11. tvcultura.com.br/aloescola/historia/.../terceiromundo-africa.htm





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Eu sou Lúcia Martinelli

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Eu sou Lúcia Martinelli, nasci em 28.06. Sou filha de Cândido Martinelli e Maria Grando, estudei em Passo Fundo RS, nas escolas Alfredo Pujol, Notre Dame, Joaquim Fagundes dos Reis e Cursei o 2º grau no Colégio Bom Conselho e o ensino superior na Universidade de Passo Fundo e fiz Pós –Graduação em Alfabetização Construtivista na UPF com o GEEMPA e conclui 1989. Hoje moro em Balneário Camboriú e estou fazendo todas as leituras que gostaria de ter feito e não tinha tempo para faze-las. Estou amando!

 

Trabalhei na Faculdade de Odontologia da UPF e fui secretária e auxiliar odontológico.

Exerci a função do magistério na rede particular de ensino, no Colégio Notre Dame por onde me aposentei e na rede municipal nas escolas Vidal Colussi, Fundação Educacional do Menor, UPF em Assessoramento Construtivista, Notre Dame Municipal e Antonino Xavier, onde me aposentei. Aleluia!!!

Trabalhei em turmas pela ordem dos acontecimentos: multiseriada (de pré a 4ª série) todos na mesma sala, Jardim, Pré, 1ª série, 2ª série, 2º ano, 3ª série, 4ª série, 5ª série e 1º ano do 2º grau.

Sou professora por opção porque adoro o ato de ensinar e aprender, o convivio com as crianças sentir a mundança e o crescimento acontecendo no dia a dia, ser o elo mediador entre aluno e conhecimento desafiando e apoiando para que o processo de aprendizagem aconteça o mais rápido possível. A experiência da alfabetização é algo indiscritível, só experimentando para saber a delicia da magia que é “o ver acontecer”.

 

A educação é um processo contínuo que toma o homem sobre sua responsabilidade desde a infância até a morte.

PROFESSORA LUCIA MARTINELLI

PROFESSORA LUCIA MARTINELLI
ATIVIDADES E PROJETOS